Flor da orquídea terrestre Sobrália powelii. Fonte; Google
Recife, abril 2017
APRESENTAÇÃO
Neste ensaio o Autor do site revela sinoticamente as obras e os pontos de vistas dos quinze grandes maiores interpretes da realidade histórica e da vida brasileira e que podem e devem fazer parte da galeria dos maiores críticos e formadores da historiografia brasileira.
É importante notar que dos quinze grandes intelectuais brasileiros, apresentados são mundialmente conhecidos, e apenas seis deles não foram vítimas da anomia dos ditadores civis-militares oriundos do Golpe Militar de 1 de abril de 1964, nefasto e trágico para a cidadania brasileira, principalmente, para os intelectuais, os pensadores, os operários e os estudantes.
É bom lembrar que o Brasil é o país, no planeta terra, que mais possui cursos e faculdades de direito. Não obstante esse fato é detentor de um dos piores judiciários do mundo cujos bacharéis e advogados formados, pelas faculdades sempre estiveram e estão comprometidos com as classes sociais retrogradas donas dos poderes do estado. Isso desde a escravidão, na colônia, quando se formavam em Portugal ou França, passando pelos desmandos do império, com os golpistas militares, em todos os momentos das diferentes repúblicas, pela confecção de espúrias e impopulares constituições além dos despóticos atos institucionais e das posições conservadoras na sociedade brasileira até os dias de hoje. O direito é, como a arte no Brasil, pura ficção. É movido pela inspiração que existe “objetivamente” com ou sem leis aonde juízes, promotores, ouvidores e advogados, de um modo geral, são contadores e interpretes de histórias a partir de outras tantas histórias que ouviram. O fato de um jovem cidadão brasileiro optar por fazer um curso de direito já expressa um DNA ou um gene conservador no âmbito da sociedade brasileira, isto é, parece ser uma herança maldita dos colonizadores portugueses e europeus para se ter e manter um Estado jurídico-burocrático-conservador ou Estado Cartorial como negação do que se poderia conceituar de justiça. As nefastas confrarias desses profissionais chegam ao cúmulo ou aberração de a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) assumir, na prática jurídica do país, poderes de uma corte especial de arbítrio junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) cujos ministros são onipotentes, onipresentes e oniscientes.
Não foi à toa que Paulo Queiroz (Doutor em Direito, Procurador Regional da República e Professor do Centro Universitário de Brasília) em seu livro Ensaios Críticos (Editora Jus Podivm) afirmou que os bacharéis em direito, advogados e juízes são “exímios contadores de histórias, e que, como bons contadores, contam-nas conforme o seu respectivo auditório (juiz, tribunal etc,), com ele interagindo e persuardindo-o? Enfim, que fazem os juristas senão contar histórias, mais ou menos verosímeis, mais ou menos exatas, no seu próprio interesse e no interesse de seus clientes (Estado, réu, vítima) ”.
Segundo, ainda, aquele pensador e professor de direito ”as chamadas autoridades de alto escalão acabam por investigar a si mesmos por meio, da designação e/ou monitoramento dos seus investigadores. Dito de outro modo; no modelo policial brasileiro, os investigados/criminosos detêm o controle político das investigações, apesar de não as presidirem formalmente”.
Esta é a prática do judiciário-burocrático-conservador do Estado Cartorial Brasileiro que legitima as aberrantes situações de puro estado de terror e outras arbitrariedades antissociais como foi a última ditadura militar (1964-1986) e o golpe parlamentar de 1916 que depôs por impedimento constitucional a Presidenta da República. O Brasil é, sem dúvida, o país onde impera a impunidade e muitas aberrações jurídicas desde um simples policial até a Suprema Corte no que pese a incomensurável quantidade de bacharéis em direito e advogados.
Este ensaio, também, tem a pretensão de servir de guia a todos aqueles que almejam para os brasileiros uma vida digna em um contexto de uma nação para si. Por isso mesmo primou em apresentar, de forma muito sinótica, o que há de melhor da intelectualidade na hermenêutica da nação brasileira em termos de se fazer história.
A fonte principal de: bibliografia, consultas, interpretações, paráfrases e compilações encontradas são da Enciclopédia Livre da Internet – WIKIPÉDIA.
Inicia-se os textos apresentando ao público alvo do site o PRIMEIRO grande interprete e crítico da historiografia brasileira, ou seja, o escritor, jornalista e historiador JOÃO CAPISTRANO HONÓRIO DE ABREU nascido em Maranguape (CE), em 23 de outubro de 1853 e falecido no Rio de Janeiro, em 13 de agosto de 1927. Foi ele um historiador brasileiro crítico do lusitanismo que era até então o enfoque existente na historiografia brasileira. Sem dúvida, foi um dos primeiros grandes historiadores do Brasil, produzindo, ainda, nos campos da etnografia e da linguística. A sua obra é caracterizada por uma rigorosa investigação das fontes históricas e por uma visão crítica dos fatos.
Suas pesquisas fizeram contraponto às de Francisco Adolfo de Varnhagen que, no império de D. Pedro II, foi por este designado para escrever o primeiro tratado oficial da História do Brasil por ter escrito Notícia do Brasil, seu primeiro trabalho de história, entre 1835 e 1838. As pesquisas de Varnhagen, na matéria, levam-no a localizar o túmulo de Pedro Álvares Cabral na Igreja da Graça, em Santarém. Varnhagen foi admitido como sócio correspondente na Academia de Ciências de Lisboa. Formou-se como engenheiro militar em 1839, na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho. Retornando ao Brasil em 1840, entrou para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1841, exercendo o cargo de primeiro-secretário. Em 1844 obteve a nacionalidade brasileira, e admitido na carreira diplomática. Serviu na legação de Lisboa e na de Madrid, obtendo reconhecimento como historiador com a publicação da “História Geral do Brasil” em dois volumes (1854-1857). Foi destacado como diplomata para o Paraguai (1858), tendo servido, ainda, na Venezuela, em Nova Granada (atual Colômbia), no Equador, no Chile, no Peru e nos Países Baixos.
Mesmo com todas essas credenciais a obra de Vahnhagen foi objeto e foco de severas e objetivas críticas de Capistrano de Abreu através dos seus trabalhos e artigos publicados pelo conceituado jornal “O Diário de Notícias” do Rio de janeiro na época, capital do Império e, depois, das quatro primeiras Repúblicas.
Segundo a Wikipédia, João Capistrano Honório de Abreu fez seus primeiros estudos em rápidas passagens por várias escolas na grande Região Nordeste do Brasil. Em 1869, viajou para Recife, onde cursou humanidades, retornando ao Ceará dois anos depois. Em Fortaleza, foi um dos fundadores da Academia Francesa, órgão de cultura e debates, progressista e anticlerical, que durou de 1872 a 1875.
Neste último ano, viajou para o Rio de Janeiro e aí se fixou em um sobrado situado no bairro de Botafogo; hoje a Rua onde morou leva seu nome por homenagem póstuma. Foi empregado da Editora Garnie e aprovado em concurso público como bibliotecário da Biblioteca Nacional durante a gestão de Ramiz Galvão. Em 1879, foi nomeado oficial da Biblioteca Nacional. Lecionou Coreografia e História do Brasil no modelar Colégio Pedro II, nomeação por concurso público em que apresentou tese sobre “O descobrimento do Brasil e o seu desenvolvimento no século XVI”. Eleito para a Academia Brasileira de Letras, recusou-se a tomar posse.
Dedicou-se ao estudo da história colonial brasileira, elaborando uma teoria da literatura nacional, tendo por base os conceitos de clima, terra e raça, que reproduzia os clichês típicos do colonialismo europeu acerca dos trópicos (determinismo geográfico), invertendo, todavia, o mito pré-romântico do «bom selvagem». É patrono da cadeira 15 da Academia Cearense de Letras e da cadeira 23 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
Homenagens em selos postais dos Correios Brasileiro
Homenagem filatélica ao centenário de nascimento.
Em 9 de dezembro de 2003 os Correios brasileiro edita o selo comemorativo aos seus 150 anos de nascimento. Já em 1953 os Correios Brasileiro, já havia emitido selo comemorativo ao centenário de nascimento do referido historiador.
Não se pode negar que a obra “Capítulos da História Colonial (1500-1800) ” de João Capistrano de Abreu é uma das maiores referências e fonte de conhecimento crítico para todos os interessados no estudo do Brasil Colonial, principalmente, pela desconstrução da ideologia lusófila e do enfoque de administração (usadas por Varnhagen) na oficial historiografia brasileira sob a égide do segundo império.
O SEGUNDO grande formador da historiografia brasileira foi EUCLIDES RODRIGUES PIMENTA DA CUNHA. Nasceu em Cantagalo, em 20 de janeiro de 1866, no Estado do Rio de Janeiro e foi assassinado em 15 de agosto de 1909 em Piedade-RJ.. Foi um escritor e jornalista que estudou na Escola Politécnica e na Escola Militar da Praia Vermelha, tornando-se militar. Ingressou no jornal “A Província de São Paulo” — hoje O Estado de São Paulo — enquanto recebia título de bacharel e primeiro-tenente.
Em 1897, tornou-se jornalista correspondente de guerra e cobriu alguns dos principais acontecimentos da Guerra de Canudos, conflito dos sertanejos nordestinos liderados pelo religioso Antônio Conselheiro contra o Exército Brasileiro no Estado da Bahia. Os escritos de sua experiência em Canudos renderam-lhe a publicação de “Os Sertões”, considerado uma obra notável do movimento pré-modernista que, além de narrar a guerra, relata a vida e sociedade de um povo negligenciado, esquecido, violentado e discriminado pelo Estado e pelas classes sociais detentoras do Poder.
Reconhecido por seu trabalho, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1903. Viajou para a região norte do Brasil em uma campanha de demarcação de suas fronteiras, a qual chefiou. Lá, escreveu obras de denúncia e, ao voltar para o Rio de Janeiro, trabalhou no gabinete do Barão de Rio Branco. Seu casamento com Ana Emília Ribeiro foi marcado pela infidelidade de sua esposa, que teve dois filhos fora do casamento, frutos de seu caso extraconjugal com o militar Dilermando de Assis. Ao saber do caso, Euclides tentou assassinar o amante de sua esposa, contudo foi morto por ele em 15 de agosto de 1909, no que ficou conhecido como “Tragédia da Piedade”.
Sua obra continua relevante no âmbito nacional e é estudada no mundo acadêmico. Cidades fortemente ligadas à sua vida comemoram a Semana Euclidiana, em razão de “Os Sertões” ser obra literária reconhecida mundialmente por seu regionalismo e neologismo, típicos do período pré-modernista e influentes nas suas origens. No centenário de sua morte foi realizado em sua cidade e estado natal uma série de exposições do Projeto 100 Anos Sem Euclides.
Contagiado pelo ardor republicano dos cadetes e de Benjamin Constant, professor da Escola Militar, durante uma revista às tropas atirou sua espada aos pés do ministro da Guerra Tomás Coelho. A liderança da Escola tentou atribuir o ato à “fadiga por excesso de estudo”, mas Euclides negou-se a aceitar esse veredito e reiterou suas convicções republicanas. Por esse ato de rebeldia, foi julgado pelo Conselho de Disciplina. Em 1888, desligou-se do Exército. Participou ativamente da propaganda republicana no jornal “A Província de São Paulo”.
Proclamada a República, (1889) foi reintegrado ao Exército recebendo promoção. Ingressou na Escola Superior de Guerra (ESG) e conseguiu tornar-se primeiro-tenente e bacharel em Matemáticas, Ciências físicas e naturais. Em 1891, deixou a Escola de Guerra e foi designado coadjuvante de ensino na Escola Militar. Em 1893, trabalhou na Estrada de Ferro Central do Brasil.
Durante a fase inicial e sem chegar a presenciar o desenlace final da guerra Euclides conseguiu reunir material para, durante cinco anos, elaborar “Os Sertões”: a campanha de Canudos publicado em 1902. “Os Sertões” foi escrito “nos raros intervalos de folga de uma carreira fatigante”, visto que Euclides se encontrava em São José do Rio Pardo liderando a construção de uma ponte metálica. Neste período estabelece intensa amizade com Francisco Escobar, que posteriormente receberia os primeiros exemplares de “Os Sertões” e realizaria algumas revisões de acentuação e concordância, alterações adotadas por Euclides da Cunha e feitas em nanquim e canivete em aproximadamente mil exemplares.
O livro trata da campanha de Canudos (1897), na Grande Região Nordeste no norte do Estado da Bahia. Nessa obra, ele rompe por completo com suas ideias anteriores escritas e pré-concebidas, segundo as quais o movimento de Canudos seria uma tentativa de restauração da Monarquia, comandada à distância pelos monarquistas. Percebe que se trata de uma sociedade completamente diferente da litorânea. De certa forma, ele descobre o verdadeiro interior do Brasil, que mostrou ser muito diferente da representação usual que dele se tinha. Haja vista que o termo urbano de favela tem sua origem em Canudos.
A origem do termo em português brasileiro favela (Cnidoscolus phyllacanthus e Cnidoscolus quercifolius) surge no episódio histórico conhecido por Guerra de Canudos. A cidadela ou arraial de Canudos foi construída junto a alguns morros, entre eles o Morro da Favela, assim batizado em virtude da grande quantidade existente da planta espinhosa e agressiva (popularmente chamada de favela) que encobria a região. Alguns dos soldados que foram para a guerra, ao regressarem ao Rio de Janeiro em 1897, deixaram de receber o soldo, e instalaram-se em construções provisórias erigidas sobre o Morro da Providência.
O local passou então a ser designado popularmente Morro da Favela, em referência à “favela” original em Canudos. O nome favela ficou conhecido pelos novos ocupantes que na década de 1920, as habitações improvisadas, sem infraestrutura, que ocupavam os morros passaram a ser chamadas por eles e pela população de um modo geral de favelas e divulgada e propalada pela grande mídia.
As características associadas a favelas variam de um lugar para outro. Favelas são normalmente caracterizadas pela degradação urbana, elevadas taxas de pobreza e desemprego. Elas normalmente são associadas a problemas sociais como o crime, toxicodependência, alcoolismo, elevadas taxas de doenças mentais e suicídio. Em muitos países pobres, elas apresentam elevadas taxas de doenças devido as péssimas condições de saneamento, desnutrição e falta de cuidados básicos de saúde.
Um grupo de peritos das Nações Unidas criou uma definição operacional de uma favela como uma área que combina várias características: acesso insuficiente à água potável, ao saneamento básico e a outras infraestruturas; má qualidade estrutural de habitação; superlotação; e estruturas residenciais inseguras. Pode-se acrescentar o baixo estado socioeconômico de seus residentes.
Como a construção desses assentamentos é informal e não guiada pelo planejamento urbano, há uma quase total ausência de redes formais de ruas, ruas numeradas, rede de esgotos, eletricidade ou telefone. Mesmo se esses recursos estão presentes, eles são susceptíveis a serem desorganizados, velhos ou inferiores. As favelas também tendem a falta de serviços básicos presentes nos assentamentos mais formalmente organizados, incluindo o policiamento, os serviços médicos e de combate a incêndios. Estes são um perigo especial para favelas, não só pela a falta de postos de combate a incêndios e de caminhões de bombeiros, que não conseguem acessar as estreitas ruas e vielas, mas também devido à proximidade dos edifícios e da inflamabilidade dos materiais utilizados na construção. Um incêndio que varreu as colinas de Shek Kip Mei, em Hong Kong, no final de 1953, deixou 53 mil moradores de favelas sem-abrigo, levando o governo colonial a instituir um sistema imobiliário de reassentamento.
As favelas apresentam altas taxas de criminalidade, suicídio, uso de drogas e doenças. No entanto, o observador Georg Gerster (1978) notou que (com referência específica às “invasões” de Brasília) as “favelas, apesar de seus materiais de construção pouco atraentes, podem ser também um local de esperança, cenas de uma contra-cultura, com um grande potencial de incentivar mudanças e de um forte impulso.”
Stewart Brand também disse, mais recentemente, que “favelas são verdes. Elas têm densidade máxima – um milhão de pessoas por quilômetro quadrado em Mumbai – e uso mínimo de energia e de utilização de materiais. As pessoas ficam por perto, a pé, de bicicleta, riquixá, táxi ou das universais lotações… Nem tudo é eficiente nas favelas, no entanto nas favelas brasileiras, onde a eletricidade é roubada e, portanto, livre, Jan Chipchase, da Nokia, descobriu que as pessoas deixam as luzes acesas durante todo o dia. Na maioria das favelas a reciclagem é, literalmente, um modo de vida.” (2010).. Hoje as instituições governamentais, as ONG e a mídia brasileira, por puro preconceito, esforçam-se em trocar o nome de favela pelo de comunidade, ou seja, um termo muito amplo, e vazio de conteúdo pela sua generalidade.
Há rumores de que os códigos sociais nas favelas proíbam que os habitantes cometam crimes dentro de seus limites. As gangues locais acabam se tornando uma milícia particular da região, policiando-a à sua própria maneira. No entanto, a maioria das favelas exibe altos índices de crimes violentos, em especial homicídios. A existência das supostas milícias, segundo alguns estudiosos, aponta para a existência de uma espécie de “código de honra” interno, o qual, caso não respeitado, pode levar à execução por parte deste efetivo Estado paralelo.
Em muitas favelas, especialmente nos países pobres, muitos vivem em vielas muito estreitas que não permitem o acesso de veículos (como ambulâncias e caminhões de incêndio). A falta de serviços como a coleta de resíduos permitem o acúmulo de detritos em grandes quantidades. A falta de infraestrutura é causada pela natureza informal das habitações e pela ausência de planejamento para os pobres por funcionários dos governos locais. Além disso, assentamentos informais enfrentam muitas vezes as consequências das catástrofes naturais e artificiais, tais como deslizamentos de terra, terremotos e tempestades tropicais. Incêndios provocados ou não pelos especuladores imobiliários são um problema frequente.
Muitos habitantes de favelas empregam-se na economia informal. Isso pode incluir venda de algum produto na rua, tráfico de droga, trabalhos domésticos e prostituição. Em algumas favelas os moradores reciclam resíduos de diferentes tipos para a sua subsistência.
Favelas muitas vezes estão associadas ao Reino Unido da Era Vitoriana, especialmente nas cidades industriais do norte. Estes assentamentos ainda eram habitados até a década de 1940, quando o governo britânico começou a construir novas casas populares. Durante a Grande Depressão, favelas também surgiram nos Estados Unidos onde eram denominadas hoovervilles.
Tal percepção e hermenêutica da obra de Euclides se explicita claramente em duas modalidades de consciência da realidade brasileira. A primeira, diz respeito a consciência ingênua quando Euclides em A TERRA é um grande defensor da ideologia eurocêntrica do determinismo geográfico que discrimina os trópicos e o clima equatorial do planeta em razão da Pseudo supremacia das regiões temperadas da terra. Nessa parte de sua monumental obra Euclides não passa de ser um ingênuo intelectual quando adota tal ideologia reflexa do mundo hegemônico europeu.
Já nas partes de O HOMEM e A LUTA fluem na obra de Euclides a essência da consciência crítica revelando a vida e a luta de um povo oprimido, descriminado e violentado pelo Estado e, principalmente pela violência classista do “coronelato” existente em toda Grande Região Nordeste do Brasil cujos latifundiários (coronéis) decidiam sobre quem devia morrer e quem devia viver na Região.
É nessa parte da obra que, na prática, ele nega toda ideologia do seu determinismo geográfico quando afirma: “O SETANEJO É ANTES DE TUDO UM FORTE” depois de traçar um estilo de vida com doenças e infortúnios por eles viverem nos trópicos e nos climas equatoriais da Amazônia incluso o Estado do Maranhão.
Euclides se tornou mundialmente famoso com a publicação dessa notável obra literária e histórica. Essa obra-prima “Os Sertões” (patrimônio literário da humanidade) lhe valeu vagas para a Academia Brasileira de Letras (ABL) e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). A obra divide-se, como foi ditro, em três partes: A terra, O homem e A luta.
Nelas Euclides analisa, respectivamente, as características sociais, políticas, geológicas, botânicas, zoológicas e hidrográficas da região, a vida, os costumes e a religiosidade sertaneja e, enfim, narra os fatos ocorridos nas quatro expedições militares enviadas ao arraial cuja resistência era liderada por Antônio Conselheiro. “Os Sertões”, é um verdadeiro monumento da cultura literária brasileira. É indissociável à própria ideia de Brasil. O livro foi e é considerado, ao longo dos tempos uma obra prima da literatura da língua portuguesa no planeta comparável aos “Lusíadas” de Camões.
Ciclo amazônico da obra de Euclides da Cunha
Em agosto de 1904, Euclides foi nomeado chefe da comissão mista brasileiro–peruana de reconhecimento do Alto Purus, com o objetivo de cooperar para a demarcação de limites entre o Brasil e o Peru. Esta experiência resultou em sua obra póstuma À Margem da História, onde denunciou a exploração dos seringueiros na floresta. Euclides partiu de Manaus para as nascentes do Purus, chegando adoentado em agosto de 1905. Prosseguindo os estudos de limites, escreveu o ensaio Peru versus Bolívia, publicado em 1907. Escreveu, também durante esta viagem, o texto Judas-Ahsverus, considerado um dos textos mais filosófica e poeticamente aprofundados de sua autoria.
Após retornar da Amazônia, Euclides proferiu a conferência Castro Alves e seu tempo, prefaciou os livros Inferno verde de Alberto Rangel e Poemas e canções de Vicente de Carvalho.
Imortal da Academia Brasileira de Letras
Foi eleito em 21 de setembro de 1903 para a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras na sucessão de Valentim Magalhães, e recebido em 18 de dezembro de 1906 pelo acadêmico Sílvio Romero. Sua obra traz para o Brasil incomensurávell legado literário, antropológico, sociológico e humano para a interpretação da história do Brasil quando se trata das três partes que a constitui.
Como contribuição às ciências humanas e sociais, encontra-se na obra de Euclides da Cunha a separação da nação brasileira entre os povos litorâneos e os interioranos. A interpretação de cada uma dessas partes permitiria a compreensão do país como um todo e do seu povo, uma vez que se tinha nas cidades litorâneas polos de desenvolvimento político e econômico e no interior do país condições de atraso socioeconômico que subjugavam suas populações à fome e à miserabilidade.
No entanto, ao analisar os fatos ocorridos em Canudos, Euclides refuta a noção de que no litoral se encontrariam condições de avanço civilizatório em oposição ao interior. Pelo contrário, aponta que tanto os litorâneos quanto os interioranos, cada qual em suas especificidades, se encontrariam em um estádio bárbaro de sociedade, bastava atentar para a crueldade com que se reprimiu o movimento de Antônio Conselheiro. Além do que, tanto uns quanto os outros eram dados ao fanatismo, fosse pela República de Floriano Peixoto, fosse pela religiosidade de Antônio Conselheiro.
Esta sua noção de estádios bárbaros e civilizados de sociedade estão em consonância a seu pensamento evolucionistas Spenceriano. Também se alinha com isso sua metodologia em compreender as singularidades de cada elemento separadamente para, enfim, interpretar o todo. No caso, buscou compreender as populações litorâneas e as interioranas como elementos do Brasil como uma totalidade em plena formação histórica-política-social-econômica.
A terra
Na primeira parte são estudados o relevo, o solo, a fauna, a flora e o clima da região nordestina. Euclides da Cunha revelou que nada supera a principal calamidade do sertão: a seca. Registrou, ainda, que as grandes secas do Nordeste brasileiro obedecem a um ciclo de nove a doze anos, desde o século XVIII, numa ordem cabalística. Hoje sabe-se que são motivadas pelo fenômeno climático mundial conhecido por El niño e jamais explicado ou visto pelo eurocentrismo da ideologia determinística.
O homem
O determinismo geográfico julgava que o homem é produto do meio (geografia), da raça (hereditariedade) e do momento histórico (cultura). Euclides faz uma análise da psicologia do sertanejo e de seus costumes, é uma descrição feita pelo sociólogo e antropólogo Euclides da Cunha, que mostra o habitante do lugar, sua relação com o meio, sua gênese etnológica, seu comportamento, crença e costume; mas depois se fixa na figura de Antônio Conselheiro, o líder de Canudos. Apresenta se caráter, seu passado e relatos de como era a vida e os costumes de Canudos, como os propalados por visitantes e habitantes capturados. Estas duas partes são essencialmente descritivas, pois na verdade “armam o palco” e “introduzem os personagens” eurocêntricos para a verdadeira história, a Guerra de Canudos negadas pela visão crítica de Euclides.
A luta
Fala sobre o que foi a Guerra de Canudos e explica com riqueza de detalhes os fatos e causas dessa guerra que dizimou a população de Canudos sem que a mesma se rendesse frente a desproporção de forças e armamentos na luta. Uma descrição feita pelo jornalista e ser humano Euclides da Cunha, relatando as quatro expedições a Canudos, criando o retrato real só possível pela testemunha ocular da fome, da peste, da miséria, da violência e da insanidade daquela guerra. Retratando minuciosamente movimentos de tropas, ele constantemente se prende à individualidade das ações e mostra casos isolados que são essencialmente descritivas, pois na verdade “armam o palco” e “introduzem os personagens” para a verdadeira história, da Guerra de Canudos sem que tenha se rendido. Canudos é o maior símbolo de resistência humana ativa em conflito na historiografia brasileira.
Obras de Euclides da Cunha
1884
- CUNHA, Euclides da. Em viagem: folhetim. O Democrata, Rio de Janeiro, 4 abr. 1884.
1887
- A flor do cárcere. Revista da Família Acadêmica, Rio de Janeiro, 1 (1): 10, nov. 1887.
1888
- A Pátria e a Dinastia. A Província de São Paulo, 22 dez. 1888.
- Críticos. Revista da Família Acadêmica, Rio de Janeiro, 1(7): 209-213, maio 1888.
- Estâncias. Revista da Família Acadêmica, Rio de Janeiro, 1 (10): 366, out. 1888.
- Fazendo versos. Revista da Família Acadêmica, Rio de Janeiro, 1(3): 87-88, jan. 1888.
- Heróis de ontem. Revista da Família Acadêmica, Rio de Janeiro, 1(8): 227-8, jun. 1888.
- Revista da Família Acadêmica, Rio de Janeiro, 1(9): 265, jul. 1888.
1889
- Atos e palavras. A Província de São Paulo, 10-12, 15, 16, 18, 23, 24 jan. 1889.
- Da corte. A Província de São Paulo, maio 1889.
- Homens de hoje. A Província de São Paulo, 22 e 28 jun. 1889.
1890
- Democracia, Rio de Janeiro, 26 abr. 1890.
- Democracia, 24 maio 1890.
- Democracia, 2 jun. 1890.
- O ex-imperador. Democracia, 3 mar. 1890.
- Sejamos francos. Democracia, Rio de Janeiro, 18 mar. 1890.
1892
- Da penumbra. O Estado de S. Paulo, 15, 17 e 19 mar. 1892.
- Dia a dia. O Estado de S. Paulo, 29 e 31 mar. 1892.
- Dia a dia. O Estado de S. Paulo, 1-3, 5-8, 10, 13, 17, 20, 24 e 27 abr. 1892.
- Dia a dia. O Estado de S. Paulo, 1, 8, 11, 15, 18 e 22 maio 1892.
- Dia a dia. O Estado de S. Paulo, 5, 12, 22 e 29 jun. 1892.
- Dia a dia. O Estado de S. Paulo, 3 e 6 jul. 1892.
- Instituto Politécnico. O Estado de S. Paulo, 24 maio 1892.
- Instituto Politécnico. O Estado de S. Paulo, 1o. jun. 1892.
1894
- A dinamite. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 20 fev. 1894.
1897
- A nossa Vendeia. O Estado de S. Paulo, 14 mar. 1897 e 17 jul. 1897.
- O Estado de S. Paulo, 9 jun. 1897.
- Canudos: diário de uma expedição. O Estado de S. Paulo, 18 e 22-29 ago. 1897.
- Canudos: diário de uma expedição. O Estado de S. Paulo, 1, 3, 9, 12, 14, 21, 26 e 27 set. 1897.
- Canudos: diário de uma expedição. O Estado de S. Paulo, 11-13, 20, 21 e 25 out. 1897.
- Distribuição dos vegetais no Estado de São Paulo. O Estado de S. Paulo, 4 mar. 1897.
- Estudos de higiene: crítica ao livro do mesmo título do Doutor Torquato Tapajós. O Estado de S. Paulo, 4, 9 e 14 maio 1897.
- O Argentaurum. O Estado de S. Paulo, 2 jul. 1897.
- O batalhão de São Paulo. O Estado de S. Paulo, 26 out. 1897.
1898
- O “Brasil mental”. O Estado de S. Paulo, 10-12 jul. 1898.
- Excerto de um livro inédito. O Estado de S. Paulo, 19 jan. 1898.
- Fronteira sul do Amazonas. O Estado de S. Paulo, 14 nov. 1898.
1899
- A guerra no sertão [fragmento]. Revista Brasileira, Rio de Janeiro, 19 (92/93): 270-281, ago./set. 1899.
1900
- As secas do Norte. O Estado de S. Paulo, 29, 30 out. 1900 e 1o. nov. 1900.
- O IV Centenário do Brasil. O Rio Pardo, São José do Rio Pardo, 6 maio 1900.
1901
- O Brasil no século XIX. O Estado de S. Paulo, 31 jan. 1901.
1902
Folha de rosto de Os Sertões (1902)
- Os Sertões: campanha de Canudos. Rio de Janeiro: Laemmert, 1902. vii + 632 p. il.
- Ao longo de uma estrada. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 18 jan. 1902.
- Olhemos para os sertões. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 18 e 19 mar. 1902.
1903
- Os Sertões: campanha de Canudos. 2. ed. rev. Rio de Janeiro: Laemmert, 1903. vii + 618 p. il.
- Viajando… O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 set. 1903.
- À margem de um livro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 e 7 nov. 1903.
- Os batedores da Inconfidência. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 abr. 1903.
- Posse no Instituto Histórico. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 66 (2): 288-93, 1903.
1904
- A arcádia da Alemanha. O Estado de S. Paulo, 6 ago. 1904.
- Civilização. O Estado de S. Paulo, 10 jul. 1904.
- Conflito inevitável. O Estado de S. Paulo, 14 maio 1904.
- Contra os caucheiros. O Estado de S. Paulo, 22 maio 1904.
- Entre as ruínas. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1904.
- Entre o Madeira e o Javari. O Estado de S. Paulo, 29 maio 1904.
- Heróis e bandidos. O Paiz, Rio de Janeiro, 11, jun. 1904.
- O marechal de ferro. O Estado de S. Paulo, 29 jun. 1904.
- Um velho problema. O Estado de S. Paulo, 1o. maio 1904.
- Uma comédia histórica. O Estado de S. Paulo, 25 jun. 1904.
- Vida das estátuas. O Paiz, Rio de Janeiro, 21 jul. 1904.
1905
- Os Sertões: campanha de Canudos. 3. ed. rev. Rio de Janeiro: Laemmert, 1905, vii + 618 p. il.
- Rio abandonado: o Purus. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 68 (2): 337-89, 1905.
- Os trabalhos da Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus [Entrevista]. Jornal do Commercio, Manaus, 29 out. 1905.
1906
- Relatório da Comissão Mista Brasileiro-Peruana de Reconhecimento do Alto Purus: 1904-1905. notas do comissariado brasileiro. Rio de Janeiro: Ministério das Relações Exteriores, 1906. 76 p. mapas.
- Da Independência à República. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 69 (2): 7-71, 1906.
- Os nossos “autógrafos”. Renascença, Rio de Janeiro, 3 (34): 276, dez. 1906.
1907
- Contrastes e confrontos. Pref. José Pereira de Sampaio (Bruno). Porto: Empresa Literária e Tpográfica, 1907. 257 p.
- Contrastes e confrontos. 2. ed. ampliada. Estudo de Araripe Júnior. Porto: Empresa Literária e Tipográfica, 1907. 384 p. il.
- Peru ‘versus’ Bolívia. Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, 1907. 201 p. il.
- Castro Alves e seu tempo. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 dez. 1907.
- Entre os seringais. Kosmos, Rio de Janeiro, 3 (1), jan. 1906.
- O valor de um símbolo. O Estado de S. Paulo, 23 dez. 1907.
1908
- La cuestión de limites entre Bolívia y el Peru. trad. Eliosoro Vilazón. Buenos Aires: Cia Sud-Americana de Billetes de Banco, 1908.
- Martín Garcia. Buenos Aires: Cori Hermanos, 1908. 113 p.
- Numa volta do passado. Kosmos, Rio de Janeiro, 5 (10), out. 1908.
- Parecer acerca dos trabalhos do Sr. Fernando A. Gorette. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 71 (2): 540-543, 1908.
- A última visita. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 set. e 1o. out. 1908.
1909
- Amazônia. Revista Americana, Rio de Janeiro, 1 (2): 178-188, nov. 1909.
- A verdade e o erro: prova escrita do concurso de lógica do Ginásio Nacional [17 maio 1909]. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 jun. 1909.
- Um atlas do Brasil: último trabalho do Dr. Euclides da Cunha. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 29 ago. 1909.
Obras póstumas
- À margem da história. Porto: Chardron, Lello, 1909. 390 p. il.
1975
- Caderneta de campo. Introd., notas e coment. por Olímpio de Souza Andrade. São Paulo, Cultrix; Brasília, INL, 1975. xxxii, 197 p. il.
- Canudos: diário de uma expedição. Introd. de Gilberto Freyre. Rio de Janeiro: José Olympio, 1939. xxv, 186 p. il.
- Ondas. Coleção de poesias escritas por Euclides da Cunha em 1883, publicadas em 1966, na “Obra Completa de Euclides da Cunha”, pela Editora Aguilar, e em volume autônomo em 2005, pela Editora Martin Claret, com prefácio de Márcio José Lauria.
O TERCEIRO personagem que fez história no Brasil foi ALEXANDRE BARBOSA LIMA SOBRINHO. Viveu durante 103 anos. Foi advogado, escritor, historiador, ensaísta, jornalista e político brasileiro. Nasceu em Recife, 22 de janeiro de 1897 e faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de julho de 2000.
Estudou o curso primário em Recife onde iniciou o secundário no Colégio Salesiano, terminando-o no Instituto Ginasial Pernambucano. Em 1913, matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, onde colou grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1917. Foi adjunto de promotor do Recife, em 1917, e advogado no período imediato ao de sua formatura. Colaborou na imprensa pernambucana, no Diário de Pernambuco, no Jornal Pequeno e, principalmente, no Jornal do Recife, onde escreveu a crônica dos domingos, de outubro de 1919 a abril de 1921. Colaborou ainda na Revista Americana, Revista de Direito, Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, no Correio do Povo, de Porto Alegre, e na Gazeta, de São Paulo.
Mudando-se para o Rio de Janeiro, dedicou-se ao jornalismo. Trabalhou no Jornal do Brasil a partir de abril de 1921, a princípio como noticiarista, mais tarde como redator político e, a partir de 1924, como redator principal. Escreveu, até a data de sua morte, em julho de 2000, um artigo semanal, nesse jornal.
Na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), exerceu a presidência nos períodos de 1926 a 1927; 1930 a 1932; a presidência do Conselho Administrativo de 1974 a 1977; e novamente a presidência de 1978 a 2000. Foi proclamado Jornalista Emérito pelo Sindicato da categoria de São Paulo. Quando assumiu pela primeira vez a Presidência da ABI, Barbosa Lima Sobrinho já revelava seu dinamismo: convocou uma assembleia-geral para reformar os estatutos, regulamentou a concessão da carteira de jornalista e título de sócio e estabeleceu intercâmbio com as associações de imprensa dos estados, proporcionando a integração dos jornalistas em todo o país.
Eleito deputado federal por Pernambuco para o triênio 1935-37, foi escolhido líder de sua bancada, membro da Comissão de Finanças e relator do Orçamento do Interior e Justiça.
Foi presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool, de 1938 a 1945, quando tomou posse da cadeira de deputado federal por Pernambuco, na Assembleia Constituinte de 1946. Na Câmara dos Deputados, em 1946, foi membro da Comissão de Finanças e designado relator do orçamento do Ministério da Guerra. Renunciou à cadeira de deputado em 1948, para assumir, a 14 de fevereiro do mesmo ano, o cargo de governador de Pernambuco, exercendo o mandato até 31 de janeiro de 1951.
Foi procurador da prefeitura do então Distrito Federal (Rio de Janeiro) e professor de ensino superior nos cursos de Ciências sociais e econômicas. Como professor, regeu a cadeira de Política Financeira e, mais tarde, a de História Econômica, na Faculdade de Ciências Econômicas Amaro Cavalcanti, do antigo estado da Guanabara. Mais uma vez deputado federal por Pernambuco para a legislatura 1959-1963, integrou a Comissão de Justiça.
Foi sócio benemérito do IHGB e do Instituto dos Advogados Brasileiros, com sede no Rio de Janeiro; benemérito da Associação Brasileira de Imprensa e sócio correspondente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e do Instituto de Advogados de São Paulo; sócio efetivo da Sociedade de Geografia; sócio honorário do Instituto Histórico de Goiana (PE); presidente de honra do XIV Congresso Nacional de Estudantes; professor honorário da Faculdade de Filosofia da Universidade do Recife; presidente do Pen Clube do Brasil em 1954; membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa; membro do Instituto de Direito Público e da Fundação Getúlio Vargas.
Recebeu a Medalha Quadragésimo Aniversário da PUC-RJ (1981); o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco e o Prêmio Imprensa e Liberdade, conferido pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade (1984); o Prêmio Governo do Estado do Rio de Janeiro e o título de Cidadão Benemérito da Cidade do Rio de Janeiro (1987); o Prêmio Juca Pato, conferido pela União Brasileira de Escritores; o Prêmio San Tiago Dantas (1989); e a Medalha Tiradentes (1992), conferida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Recebeu também a Medalha Chico Mendes de Resistência do Grupo Tortura Nunca Mais em 1992.
Em 1973 candidatou-se a vice-presidente da República na chapa encabeçada por Ulisses Guimarães pelo MDB.
Participou da Campanha pela anistia ampla, geral e irrestrita, que teve sucesso em 1979.
Em 1992 foi o primeiro signatário do pedido de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.
A partir de 1994 participou de manifestações contrárias às privatizações de empresas públicas, política iniciada no governo Collor e ampliada no governo Fernando Henrique Cardoso .
Em 1998 foi contrário à revisão constitucional que permitia a reeleição dos ocupantes de cargos executivos, por considerar prejudicial aos interesses do Brasil.
De Villas-Bôas Corrêa, que o conheceu em 1948, quando iniciava a carreira, mereceu as seguintes palavras num artigo: “Barbosa Lima Sobrinho foi uma das maiores figuras do século que não pôde ver terminar. Mais de 50 anos de relações cordiais e espaçadas, a admiração crescente, a reverência da estima não cabe neste pequeno registro emocionado, um ramo de cravos depositado no caixão do grande brasileiro, do patriota insuperável, a lenda eterna na gratidão nacional. ”
Recebeu homenagem da escola de samba União da Ilha do Governador, sendo enredo do desfile de 1999.
Academia Brasileira de Letras
Em 28 de abril de 1937 foi eleito para a cadeira 6 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o literato Goulart de Andrade. Lá atuou também como secretário-geral em 1952; presidente em 1953 e 1954; diretor da Revista da Academia em 1955 e 1956; diretor da biblioteca de 1957 a 1978 e tesoureiro de 1978 a 1993.
Na área de linguística e literatura
- Árvore do bem e do mal (1926);
- O vendedor de discursos (1935);
- A questão ortográfica e os compromissos do Brasil (1953);
- A língua portuguesa e a unidade do Brasil (1958);
- Os precursores do conto no Brasil (1960).
Direito, ensaio, história, jornalismo e política
- O problema da imprensa (1923);
- Pernambuco e o Rio São Francisco (1929);
- A Bahia e o rio São Francisco (1931);
- A ação da imprensa na Primeira Constituinte (1934);
- O centenário da chegada de Nassau e o sentido das comemorações pernambucanas (1936);
- A verdade sobre a Revolução de Outubro (1946);
- Interesses e problemas do sertão pernambucano (1937);
- O devassamento do Piauí (1946);
- A Revolução Praieira (1949);
- A Comarca do Rio São Francisco (1950);
- O Jornalismo como gênero literário (1958) – este livro não é dele e, sim, de Alceu Amoroso Lima;
- Artur Jaceguai (1955);
- Capistrano de Abreu (s.d.);
- Sistemas eleitorais e partidos políticos. Estudos constitucionais (1956);
- A autodeterminação e a não-intervenção (1963);
- Desde quando somos nacionalistas (1963);
- Alexandre José Barbosa Lima (1963);
- Presença de Alberto Torres (1968);
- Oliveira Lima, obras (1971);
- Japão: o capital se faz em casa (1973);
- Pernambuco: da Independência à Confederação do Equador (1979);
- Antologia do Correio Braziliense (1979);
- Estudos nacionalistas (1981);
- Assuntos pernambucanos (1986).
O QUARTO grande personagem que muito contribuiu para a historiografia do Brasil foi o cientista e escritor pernambucano GILBERTO DE MELLO FREYRE (Nascido em Recife, 15 de março de 1900 e falecido nesta mesma cidade em 18 de julho de 1987) foi um intelectual oligarca e polímata brasileiro. Como escritor, dedicou-se à ensaística da interpretação do Brasil sob ângulos da sociologia, antropologia e história. Foi, também, autor de ficção, político, jornalista, poeta e pintor. É considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX. Recebeu da Rainha Elizabeth II o título de Sir, sendo um dos poucos brasileiros detentores desta alta honraria ou comenda da coroa britânica.
Sobre Freyre, segundo a WIKIPÉDIA, falou o eminente escritor brasileiro Monteiro Lobato: “O Brasil do futuro não vai ser o que os velhos historiadores disserem e os de hoje repetem. Vai ser o que Gilberto Freyre disser. Freyre é um dos gênios de palheta mais rica e iluminante que estas terras antárticas ainda produziram”.
A obra de Gilberto Freyre mais importante e significativa para a historiografia brasileiras e formação do povo brasileiro é, sem dúvida, Casa Grande & Senzala onde Freyre apresenta a importância da casa-grande na formação sociocultural brasileira, assim como, a da senzala na complementação da primeira. Além disso, Casa-Grande & Senzala enfatiza a formação da sociedade brasileira no contexto da miscigenação entre os brancos, principalmente portugueses, dos negros (escravos) das várias nações africanas e das diferentes etnias indígenas que habitavam o Brasil.
Na opinião de Freyre, segundo a WIKIPÉDIA, a própria arquitetura da casa-grande expressaria o modo de organização social e política do Brasil, o patriarcalismo. Tal estrutura seria capaz de incorporar os vários elementos que comporiam a propriedade fundiária do Brasil Colônia. Do mesmo modo, o patriarca proprietário da terra (latifundiário) é considerado dono de tudo que nela se encontrasse: escravos, parentes, filhos, esposa, amantes, padres, políticos. Este domínio se estabeleceu incorporando tais elementos e não os excluindo. O padrão se expressa na casa-grande que é capaz de abrigar desde escravos até os filhos do patriarca e suas respectivas famílias.
Freyre, também, em Casa Grande e Senzala, desmistifica a noção de determinação racial e geográfica na formação de um povo, no que dá maior importância àqueles aspectos culturais e ambientais. Com isso refuta a ideia de que no Brasil se teria uma raça inferior devido à miscigenação. Antes, aponta para os elementos positivos da formação cultural brasileira oriundos desta miscigenação entre culturas tão distintas.
Na sua outra importante obra Sobrados e Mocambos, Gilberto Freyre tem como tema a decadência do patriarquismo do Brasil rural, ocorrida no século XIX. O título é uma referência aos antigos aristocratas, que, com a declínio e fim do regime escravocrata brasileiro, tiveram que se mudar da casa-grande para sobrados em áreas urbanas. Por conseguinte, os ex-escravos, também deixaram as senzalas para morarem em casebres de palha e barro batido (casas de taipa) em bairros pobres de áreas urbanas principalmente nos mangues que deram origem as atuais favelas cuja etimologia foi explicada pela influência da guerra de Canudos narrada em “Os Sertões“ por Euclides.
Não obstante a essas grandes análises de contribuições para a hermenêutica da realidade histórica brasileira Gilberto Freyre deixou um grande legado para o Brasil em outras áreas do conhecimento: sociológico, antropológico, artes, gastronomia, costumes e da vida, haja vista a relação bibliográfica (abaixo apresentada) de sua grande e importante obra como intelectual e escritor brasileiro.
Outrossim, é inegável que Gilberto Freyre em seus enfoques e seus condicionamentos de ponto de vista, em muito massageou o ego dos colonialistas portugueses (não somente no estilo de Varnhagen, amigo do Imperador Pedro II) mas, principalmente, ao fazer um grande contraponto ao escritor e historiador brasileiro Capistrano de Abreu que minimiza, em muito, a importância dos colonialistas portugueses na formação histórica do território e do povo brasileiro.
Em tese Gilberto Freyre retoma e resgata os enfoques lusófilos da história e da historiografia brasileira. Há quem critique Gilberto Freyre afirmando que, pelo posicionamento de sua classe social, em Pernambuco e no Brasil, sua vasta obra fica em parte comprometida na medida em que toda sua sociologia e historiografia foi escrita do ponto de vista da casa grande e dos sobrados e nunca passou pela senzala e pelos mocambos (favelas).
Obras de Gilberto Freyre:
- Casa-Grande & Senzala, 1933
- Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, 1934
- Sobrados e Mocambos, 1936
- Nordeste: Aspectos da Influência da Cana Sobre a Vida e a Paisagem do Nordeste do Brasil, 1937
- Açúcar, 1939
- Olinda, 1939
- O mundo que o português criou, 1940
- Um engenheiro francês no Brasil,1940 e 1960 (2ªedição)
- Problemas brasileiros de antropologia, 1943
- Continente e ilha, 1943
- Sociologia, 1945
- Interpretação do Brasil, 1947
- Ingleses no Brasil, 1948
- Ordem e Progresso, 1957
- O Recife sim, Recife não, 1960
- Os escravos nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX, 1963
- Vida social no Brasil nos meados do século XIX, 1964
- Brasis, Brasil e Brasília, 1968
- O brasileiro entre os outros hispanos, 1975
- Oh de Casa, 1979
- Homens, engenharias e rumos sociais., 1987
- Assombrações do Recife velho, 1955
O QUINTO grande pensador comprometido com a historiografia brasileira foi SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA (São Paulo, 11 de julho de 1902 — São Paulo, 24 de abril de 1982).
Foi historiador brasileiro e também crítico literário, jornalista e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Desmistifica, também, a importância dos colonizadores portugueses na formação e virtudes do povo brasileiro. Contradiz o ponto de vista lusitano e conservador de Gilberto Freyre.
Estudou em São Paulo, na Escola Caetano de Campos e no Ginásio São Bento, onde foi aluno do Afonso d’Escragnolle Taunay. Em 1921 mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde participou do movimento Modernista de 1922, tendo sido nomeado por Mário de Andrade e Oswald de Andrade representante da revista Klaxon na mesma cidade.
Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde obteve o título de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1925. Começou a trabalhar como jornalista (no Jornal do Brasil), seguindo para Berlim, como correspondente, nos anos 1929–1931.
De volta ao Brasil no começo dos anos 30, continuou a trabalhar como jornalista. Em 1936, obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal. Neste mesmo ano, casou-se com Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, com quem teria sete filhos: Sérgio, Álvaro, Maria do Carmo, além dos músicos Ana de Holanda, Cristina Buarque, Heloísa Maria (Miúcha) e Chico Buarque. Ainda em 1936, publicou o ensaio “Raízes do Brasil“, que foi seu primeiro trabalho de grande fôlego e que, ainda hoje, é o seu escrito mais conhecido, divulgado e interpretado.
Dos seus filhos músicos destaca-se Chico Buarque de Holanda que teve papel relevante na resistência à ditadura compondo belíssimos e inteligentes textos musicais que despia e satirizava a ditadura amenizando e massageando o ego e o sofrimento dos brasileiros e brasileiras. Por sua ativa resistência foi várias vezes coagido e preso pelos capachos dos ditadores militares e seus asseclas civis.
Em 1936, Sérgio Buarque obteve o cargo de professor assistente da Universidade do Distrito Federal, incorporada depois na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, atual UFRJ, não se confundindo com a Universidade do Distrito Federal criada posteriormente e que deu origem a UEG e depois a UERJ. Em 1939, extinta a Universidade do Distrito Federal, passou a trabalhar na burocracia federal. Em 1941, passou uma longa temporada como visiting scholar em diversas universidades dos Estados Unidos.
Reuniu, no volume intitulado “Cobra de Vidro“, em 1944, uma série de artigos e ensaios que anteriormente publicara nos meios de imprensa. Publicou, em 1945 e 1957, respectivamente, “Monções” e “Caminhos e Fronteiras”, que consistem em coletâneas de textos sobre a expansão oeste da colonização da América Portuguesa entre os séculos XVII e XVIII.
Em 1946, voltou a residir em São Paulo, para assumir a direção do Museu Paulista, que ocuparia até 1956, sucedendo então ao seu antigo professor escolar Afonso Taunay. Em 1948, passou a lecionar na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na cátedra de História Econômica do Brasil, em substituição a Roberto Simonsen.
Viveu na Itália entre 1953 e 1955, onde esteve a cargo da cátedra de estudos brasileiros da Universidade de Roma. Em 1958, assumiu a cadeira de “História da Civilização Brasileira”, agora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. O concurso para esta vaga motivou-o a escrever “Visão do Paraíso”, livro que publicou em 1959, no qual analisa aspectos do imaginário europeu à época da conquista do continente americano. Ainda em 1958, ingressou na Academia Paulista de Letras e recebeu o “Prêmio Edgar Cavalheiro”, do Instituto Nacional do Livro, por “Caminhos e Fronteiras”.
A partir de 1960, passou a coordenar o projeto da “História Geral da Civilização Brasileira”, para o qual contribuiu também com uma série de artigos. Em 1962, assumiu a presidência do recém-fundado Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Entre 1963 e 1967, foi professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em Costa Rica e Peru. Em 1969, num protesto contra a aposentadoria compulsória de colegas da Universidade de São Paulo pelo então vigente regime militar, decidiu encerrar a sua carreira docente.
No contexto da “História Geral da Civilização Brasileira”, publicou, em 1972, “Do Império à República“, texto que, a princípio, fora concebido como um simples artigo para a coletânea, mas que, com o decurso da pesquisa, acabou por ser ampliado num volume independente. Trata-se de um trabalho de história política que aborda a crise do império brasileiro no final do século XIX, explicando-a como resultante da corrosão do mecanismo fundamental de sustentação deste regime: o poder pessoal do imperador.
Permaneceu intelectualmente ativo até 1982, tendo ainda, neste último decênio, publicado diversos textos. De 1975 é o volume “Vale do Paraíba – Velhas Fazendas” e de 1979, a coletânea “Tentativas de Mitologia“. Nestes últimos anos, trabalhou também na reelaboração do texto de “Do Império à República” – que não chegou a concluir.
Recebeu em 1980 tanto o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores, quanto o Prêmio Jabuti de Literatura, da Câmara Brasileira do Livro. Também, em 1980, participou da cerimônia de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), recebendo a terceira carteira de filiação do partido, após Mário Pedrosa e Antônio Candido. Por conta de sua participação no PT e na condição de intelectual destacado é que o centro de documentação e memória da Fundação Perseu Abramo (fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 1996), recebe seu nome: Centro Sérgio Buarque de Holanda: Documentação e Memória Política. Morreu em São Paulo, em 24 de abril de 1982.
Sérgio Buarque de Holanda na tentativa de buscar uma perspectiva weberiana para o tipo do homem brasileiro recorre a interpretação do Brasil pelo seu atraso histórico de desenvolvimento relacionando com o chamado “jeitinho brasileiro” que ele trata no “homem cordial” de sua obra. Ele aponta que sob ação de forças impulsoras e transformadores somente com a superação da cordialidade e do desenvolvimento da impessoalidade, é possível constituir, num processo lento e gradual, um Estado Moderno forte e capaz de garantir o desenvolvimento do Brasil.
Ainda, em Raízes do Brasil, ele analisa de como o brasileiro lida com as relações pessoais e institucionais afirmando que a cordialidade do brasileiro é revestida de uma postura de personalidade expressa em um comportamento aético no qual se verifica a dificuldade de se cumprir normas sociais estabelecidas. Afirma que sob a generosidade, hospitalidade e cordialidade do brasileiro esconde-se um caráter que se aproveita da proximidade para se estabelecer o domínio do privado sobre o público. É enfático em afirmar que “a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade – daremos ao mundo o ‘homem cordial’. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam com efeito, um traço definido do caráter brasileiro (…)”
Em sua obra Sérgio Buarque defende um projeto republicano que preze pela manutenção da coisa pública e apresenta a concepção de revolução como superação lenta e gradual da cordialidade, que conduziria à lenta modernização do Brasil. A modernização almejada, segundo ele, se daria pelo avanço de forças que superem a cordialidade típica do brasileiro e desenvolva a impessoalidade nas relações com o Estado. O projeto de Sérgio Buarque requer um Estado ideal moderno a ser desenvolvido com domínio sobre o território, o monopólio da violência, uma burocracia que lide com a administração e uma moeda própria.
Sérgio Buarque de Holanda traz, em sua obra, a grande contribuição para a compreensão da formação e entendimento cultural do Brasil advertindo que sua elite cultural é empecilho para o desenvolvimento do país na medida em que é personalista, egocêntrica, hedonista, privatista e que dificulta e fortalece o caráter contratualista da sociedade brasileira.
Interpretando as relações entre indivíduos, famílias e Estado Sérgio Buarque afirma que “para o funcionário ‘patrimonial’ o Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. ”
Segundo Sergio Buarque de Holanda “para o funcionário ‘patrimonial’, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular; as funções. Os empregos e os benefícios que deles aufere, relacionam-se a direitos pessoais do funcionário e não a interesses objetivos, como sucede o verdadeiro Estado Burocrático, em que prevalecem a especialização de funções e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos”.
Ainda segundo Sérgio a elite brasileira, expressão da cordialidade, seria implacável em suas posições um grande obstáculo para a modernização e desenvolvimento do Brasil. A cordialidade estaria expressa na postura, dos funcionários públicos, tecnocratas e políticos uma vez que estes se aproveitam das ferramentas, funções e mecanismos do Estado para auferirem benefícios próprios. Haja vista o processo de corrupção política que existiu e, ainda hoje, existe no Brasil.
Raízes do Brasil é uma obra fundamental para o estudo sociológico, histórico e científico brasileiro, que vai buscar as origens culturais do país em Portugal, no latifúndio escravocrata, no mercantilismo português e na família patriarcal conservadora, rural e religiosa. Por isso, nos dias de hoje deve-se ler e analisar a obra com interpretações reduzidas a realidade contemporânea para que não sejam cometidos anacronismos, dificultando a compreensão da importância que a obra tem e traz para o estudo da história do país. Dessa forma, Raízes do Brasil consiste em leitura obrigatória para os estudantes, cientistas, políticos e aqueles que buscam compreender as raízes brasileiras e sua própria cultura para um por vir revolucionário.
: Obras de Sérgio Buarque de Holanda:
- Cobra de Vidro. São Paulo, 1944.
- Monções. Rio de Janeiro, 1944
- Expansão Paulista em Fins do Século XVI e Princípio do Século XVII. São Paulo, 1948.
- Caminhos e Fronteiras. Rio de Janeiro, 1957.
- Visão do Paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. São Paulo, 1959.
- História Geral da Civilização Brasileira(em coautoria). 1961.
- Do Império à República. São Paulo, 1972. (História Geral da Civilização Brasileira, Tomo II, vol. 5).
- Tentativas de Mitologia. São Paulo, 1979.
- Sergio Buarque de Hollanda: História(org. Maria Odila Leite Dias). São Paulo, 1985. (Coletânea de textos)
- O Extremo Oeste(obra póstuma). São Paulo, 1986.
- Raízes de Sérgio Buarque de Holanda(org. Francisco de Assis Barbosa). Rio de Janeiro, 1988. (Coletânea de textos)
- Capítulos de literatura colonial(org. Antônio Candido). São Paulo, 1991. (Coletânea de textos)
- O espírito e a letra(org. Antonio Arnoni do Prado) – 2 vols.. São Paulo, 1996. (Coletânea de textos)
- Livro dos Prefácios. São Paulo, 1996. (Coletânea de prefácios escritos pelo autor).
- Para uma nova história– Sérgio Buarque de Holanda (org. Marcos Costa). São Paulo, 2004. (Coletânea de textos, publicados, quase todos, em jornais de notícias).
- Escritos coligidos – 1920-1979(org. Marcos Costa) – 2 vols. São Paulo, 2011. (Coletânea de textos).
O SEXTO grande personagem formador da historiografia brasileira foi o escritor, historiador e filosofo paulista CAIO DA SILVA PRADO JÚNIOR (São Paulo, 11 de fevereiro de 1907 — São Paulo, 23 de novembro de 1990). Foi historiador, geógrafo, escritor, filosofo, político e editor brasileiro.
Por considerar a sinopse do perfil e da obra de Caio Prado Júnior, publicada pela Enciclopédia Livre da Internet – WIKIPÉDIA, como excelente e condizente com as interpretações sínteses programadas para este site, o autor do mesmo, reproduz o texto daquela Enciclopédia tal qual é apresentado.
As obras de Caio Prado Júnior inauguraram, no país, uma tradição historiográfica identificada com o marxismo, buscando uma explicação diferenciada da sociedade colonial brasileira.
Proveniente de uma família de políticos e da sociedade nobre paulista, vários parentes seus exerceram papel de destaque na vida político-econômica de São Paulo, como por exemplo, seu avô Martinho Prado Júnior e seus tios-avôs Antônio Prado e Eduardo Prado; sendo que os dois primeiros também possuíram mandatos na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Bacharelou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco em 1928, onde mais tarde seria livre-docente de Economia Política. Como intelectual teve importante atuação política ao longo das décadas de 1930 e 1940, tendo participado das articulações para a Revolução de 1930. Decepcionado com a inconsistência política e ideológica da República Nova, aproximou-se do marxismo e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, em 1931.
A 12 de agosto de 1931, em São Paulo, nasce seu filho (com Hermínia F. Cerquilho), Caio Graco, que mais tarde conduzirá a Editora Brasiliense, fundada pelo pai em 1943.
Publicou, em 1933, a sua primeira obra – Evolução Política do Brasil -, uma tentativa de interpretação da história política e social do país. Após uma viagem à União Soviética em 1933, à época no governo de Stálin, e a alguns países socialistas, alinhados à União Soviética, publicou URSS – um novo mundo (1934), edição apreendida pela censura do governo de Getúlio Vargas, que passaria a combater. Ingressou na Aliança Nacional Libertadora, a qual presidiu em São Paulo.
Em 1934, ano de implantação da Universidade de São Paulo (USP), juntamente com os professores Pierre Deffontaines, Luís Flores de Morais Rego e Rubens Borba de Morais, Caio Prado Júnior participou da fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB, primeira entidade científica de caráter nacional.
Em 1942 publicou o clássico Formação do Brasil Contemporâneo – Colônia, divisor de águas da historiografia brasileira. O livro deveria ter sido a primeira parte de uma coletânea sobre a evolução histórica brasileira, a partir do período colonial. Entretanto, os demais volumes jamais foram escritos. Neste livro, alcança superar uma prática até então usual na Historiografia brasileira, qual seja, a da anacroniza, consistente em se se analisarem os fatos passados sem perder de vista o seu desenlace presente. Caio Prado Júnior, por seu turno, é capaz de analisar os processos históricos a partir do mundo em que se desenvolveram, elaborando o mais completo quadro do Brasil Colônia até então traçado.
Pautando a sua investigação em relatos coetâneos ao período do Brasil Colônia, pinta um retrato sem retoques de um plano geográfico de que se encontram não poucas marcas no Brasil de hoje. O livro, ao lado de “Casa-Grande e Senzala“, de Gilberto Freyre, e de “Raízes do Brasil“, de Sérgio Buarque de Holanda, forma uma tríade inelutável para se alcançar um conhecimento de como funcionam as estruturas sociais do país. Entrementes, em diferenciação a seus pares, Prado Júnior tende a dar as costas a um certo subjetivismo e a um certo tom redentor – apegando-se a evidências e evitando lucubrações simplistas, acaba por elaborar o livro que mais solidamente caracteriza a formação da sociedade brasileira.
Em 1945 foi eleito deputado estadual, como terceiro suplente pelo Partido Comunista Brasileiro e, em 1948 como deputado da Assembleia Nacional Constituinte. Todavia, este último mandato lhe seria cassado em 1948, na sequência do cancelamento do registro do partido pelo Tribunal Superior Eleitoral. Na condição de membro da Assembleia Constituinte Paulista de 1947, foi responsável, junto com Mário Schenberg, pela inclusão do artigo 132 da constituição estadual: “O amparo à pesquisa científica será propiciado pelo Estado por intermédio de uma fundação organizada em moldes a serem estabelecidos por lei.” Ao ser regulamentado em 1962, esse artigo levou à criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Dirigiu o vespertino A Plateia e, em 1943, juntamente com Arthur Neves e Monteiro Lobato, fundou a Editora Brasiliense, na qual lançou, posteriormente, a Revista Brasiliense, editada entre 1956 e 1964.
Na década de 1950, desenvolveu sua discussão sobre dialética, publicando dois livros: A Dialética do Conhecimento (1952) e Notas Introdutórias à Lógica Dialética (1959).
Em 1960, juntamente com outros intelectuais brasileiros, participa da criação da União Cultural Brasil-União Soviética, atual União Cultural pela Amizade dos Povos, sendo o seu primeiro presidente.
Em 1966 foi eleito o Intelectual do Ano, com a conquista do Prêmio Juca Pato, concedido pela União Brasileira de Escritores, devido à publicação, naquele ano, do polêmico A revolução brasileira, uma análise dos rumos do país após o movimento de 1964. Este trabalho impulsionaria a reflexão autocrítica da esquerda brasileira em relação ao golpe.
Sofreu novas perseguições durante o Regime Militar de 1964. Foi expurgado, juntamente com outras 64 pessoas, do cargo de professor em dezembro de 1968. Em 1967 havia concedido uma entrevista ao grêmio da Faculdade de Filosofia da USP, em março de 1969 a 2a Auditoria Militar de São Paulo abriu processo contra o historiador por causa de uma das respostas, acusando-o de incitação subversiva. Em 25 de março de 1970 foi condenado à pena máxima de 4 anos e meio de detenção, depois de apelar ao STF conseguiu reduzir a pena a 21 meses. Esteve preso no presídio Tiradentes e no 16° Batalhão Universitário da Força Pública, atrás da USP, onde dividiu a cela com um delegado preso por tráfico de drogas. Quando havia cumprido quase toda a pena, foi absolvido pelo STF e libertado, após 525 dias na prisão com 64 anos de idade. Faleceu em novembro de 1990.
Crítica histórica
“Sua produção teórica é mais marxiana do que marxista-leninista. […]Lida com fatos em termos de relações, processos e estruturas, localiza e explica desigualdades, diversidades, contradições sociais”
Fábio Hanna caracteriza Caio Prado, citando Otávio Ianni, dentro da geração moderna, e o caracteriza como sendo um intelectual do pensamento social brasileiro, marcado por uma preocupação política nacionalista e de modernização do país; e segue sua argumentação falando que este está inserido dentro de uma cultura na escrita da história que vem desde a independência, com o intuito de dar início à formação do estado nacional brasileiro e sentido e condução para a política e cultura do Estado. Já José Carlos Reis analisa, em especial, a obra Revolução Brasileira, por sintetizar a realidade brasileira e sua mudança revolucionária, marcando profundamente o pensamento revolucionário brasileiro.
Para Fábio Hanna as obras de Caio Prado Jr. estão inseridas na perspectiva de atividade política advinda dos anos 20, como meio de relacionar com os processos de transformação que estavam em pauta na sociedade brasileira. Assim o nacionalismo defendido por Caio Prado Jr. se identifica com um nacionalismo econômico. Trabalhando a questão de um país atrasado por causa da submissão de exportadores de produtos ao mercado internacional, privilegia a briga política com os países imperialistas ao qual exercem seu domínio subvertendo, dessa maneira a ordem vigente. Analisando as obras, Evolução política do Brasil (1933) e Formação do Brasil contemporâneo (1942), este percebe que são textos escritos em uma dinâmica da realidade com projeções para o futuro discutido através de uma perspectiva histórica, que produzem novos desafios para o projeto modernizador da sociedade brasileira e que estão sedo escritos no calor dos acontecimentos sociais, políticos e econômicos de suas épocas.
Caracterizando a colônia como o sentido fundamental da estrutura e colonização que de forma inevitável perpassava pela formação do nacionalismo, Caio Prado tenta mostrar que a solução para o Brasil estava no mercado interno; pois se na época da colônia o mercado era voltado para o mercado externo, a iniciativa nacional deveria opor-se a esta e desenvolver a criação de um mercado que atendesse internamente o país. Assim aceitando a tese do sentido da colonização onde o Brasil é dependente por ser exportador estamos aceitando a contraproposta de que para tornar-se um país independente tanto politicamente quanto economicamente está atrelado à constituição do mercado interno. Seu projeto está escrito na categoria básica de sentido da colonização; assim “[…] inaugura uma nova etapa na historiografia brasileira. Muitas são as razões: pela primeira vez o materialismo histórico é utilizado eficazmente como método de interpretação da história brasileira, as classes sociais passam a ser uma categoria analítica e as revoluções saem das notas de rodapé e passam a figurar no corpo do texto entre outras. ” É este novo tipo de interpretação histórica que para Hanna reflete nas opções políticas que influenciaram o autor ao longo de sua trajetória política.
José Carlos Reis dará melhor ênfase na análise do “sentido da colonização”. Ao falar da Obra “A Revolução Brasileira”, dissertará que a obra se insere na de redescobrimento do Brasil e que usa do materialismo histórico de forma inovadora, pois até os anos 30 a intelectualidade via o Brasil com desconfiança por causa de seu gênero racial mestiço, e as classes sociais mais baixas que não “passavam confiança” para o futuro do Brasil, sendo Caio Prado Jr. o primeiro a dar essa oportunidade histórica a esses grupos. Sendo assim argumenta que as elites não construíram a história do Brasil sozinhas, as classes sociais também são agentes históricos e cita; “Redescobrir o Brasil significa ver nessa sua face oculta, neste seu outro lado, o verdadeiro Brasil. Este outro lado deverá ser integrado, valorizado e recuperado, pois nele estão os construtores da sociedade brasileira presente/futura. ” Dessa forma seu sentido estrutural será as relações sociais e o modo de produção capitalista, fugindo de uma perspectiva tradicional onde influenciará uma corrente de interpretação marxista do Brasil mais crítica. Assim ele inaugurou uma corrente de interpretações marxista no Brasil descentrada do PCB, com o intuito de pensar a sociedade brasileira com relações do passado e presente e com expectativas de discussão para o futuro.
Assim José Carlos Reis argumenta que, segundo Caio Prado, as análises marxistas que interpretavam o Brasil eram reinterpretas e readaptadas para o caso brasileiro com o objetivo de ajustar a realidade brasileira. Para se contrapor a este pensamento seus escritos enfatizam a “criação” do Brasil em quadros do capitalismo moderno atrelado ao continente e atividades europeias a partir do século XV, o que ia à contramão do pensamento marxista proposto para a época que segundo eles o Brasil possuía resquícios feudais. Nesse sentido ele defende que o Brasil foi um fornecedor de produtos tropicais e que fazia parte de um sentido amplo da história. “Todos os acontecimentos dessa era dos descobrimentos articulam-se num conjunto que só é um capítulo da história do comércio europeu. A colonização do Brasil é um capítulo dessa história. ”
Seguindo o raciocínio Caio Prado Júnior, faz alusão de que não se pode interpretar a realidade brasileira e nem seu futuro a partir de situações que não se comparam com a nossa. A partir dessa forma otimizada com que o autor trabalhará a interpretação brasileira é que ele tratará do sentido da história brasileira que de forma dialeticamente e com transição dinâmica leva de um passado para um futuro. Segundo sua teoria, se o Brasil tivesse um caráter feudal, a luta social seria dada a partir da reivindicação da propriedade da terra, o que para ele era um erro teórico, histórico e político, pois os operários do campo reivindicavam as leis trabalhistas. Reis, de maneira geral resume a dialética do sentido da colonização; “Abordada assim, a realidade brasileira atual revelaria uma transição de um passado colonial a um futuro, já próximo, de uma nação estruturada, com uma organização econômica voltada para o interior, moderna. […]. Eis o sentido da história brasileira, que uma teoria especialmente elaborada para abordá-la em sua especificidade revela: da heterogeneidade inicial, da dispersão original, a uma homogeneidade nacional estruturada. Economicamente o mercado interno deverá superar o externo, o que estimulará a diversificação da produção. Este é o caminho da sociedade brasileira: da sociedade colonial ao Brasil-nação. Realizar esta transição radical é realizar a verdadeira revolução brasileira, que aliás já está em marcha há muito tempo” .
Contudo as obras revelam o caráter economicista em sua estrutura onde a prioridade da infraestrutura é utilizada como instancia determinante para sua análise. Todas as suas grandes obras são de síntese e de certa forma dizem respeito sobre o sentido da história brasileira contendo características de origem e identidade do brasileiro. Hanna, ainda concluí; que são textos político pois são escritos para surtir um efeito para o presente. “[…] na análise político social brasileira, o objetivo é o mesmo [entre ele e Oliveira Vianna]: modernizar o Brasil torná-lo uma nação de fato”.
As principais obras de Caio Prado Júnior:
- 1933: Evolução política do Brasil
- 1934: URSS – um novo mundo
- 1942: Formação do Brasil Contemporâneo
- 1945: História Econômica do Brasil
- 1952: Dialética do Conhecimento
- 1953: Evolução Política do Brasil e Outros Estudos
- 1954: Diretrizes para uma Política Econômica Brasileira
- 1957: Esboço de Fundamentos da Teoria Econômica
- 1959: Introdução à Lógica Dialética (Notas Introdutórias)
- 1962: O Mundo do Socialismo
- 1966: A Revolução Brasileira
- 1971: Estruturalismo de Lévi-Strauss – O Marxismo de Louis Althusser
- 1972: História e Desenvolvimento
- 1979: A Questão Agrária no Brasil
- 1980: O que é Liberdade
- 1981: O que é Filosofia
- 1983: A Cidade de São Paulo
O SETIMO grande intérprete da história brasileira foi LEÔNCIO BASBAUM que, como Caio Prado Júnior, faz parte dos primeiros historiadores marxista no Brasil.
Leôncio Basbaum nasceu em Recife, em 6 de novembro de 1907 e faleceu em São Paulo, no dia 7 de março de 1969). Foi médico, escritor, filosofo e historiador.
Filho de imigrantes judeus da antiga Bessarábia, depois tornada Moldávia na URSS. Qualificou-se como Médico na Universidade do Brasil, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1929. Exerceu por pouco tempo a profissão de médico na medida em que foi além de escritor, industrial, gráfico, comerciante, comerciário e ativista militante do Partido Comunista Brasileiro. No âmbito desse Partido Político, no qual militou mais de 35 anos, Leôncio Basbaum muita das vezes assumia, no Partido, condição de dissidente por discordar de muitos procedimentos e práticas dogmáticos do Partido e aversão aos intelectuais (porém jamais de renegado). O Partido seguia, como religião, os postulados da Terceira Internacional Comunista sob a hegemonia da URSS dirigida por Stalin e outros líderes soviéticos que o sucederam.
Basbaum escreveu alguns importantes trabalhos sobre a História do Brasil, em especial a obra em quatro volumes intitulada “História Sincera da República”, (entre 1957 e 1968) uma das primeiras iniciativas de se pensar a história do Brasil sob uma perspectiva marxista com a originalidade de usar os métodos: expositivo e interpretativo simultaneamente sob a ótica da lógica dialética.
O seu tratado de “História Sincera da República” é composto de quatro volumes a saber:
- O primeiro volume trata das origens históricas do Brasil colônia e do Império até 1889 quando um golpe militar liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca depõe o Imperador Pedro II e proclama a República no Brasil;
- O segundo volume diz respeito aos fatos históricos que se deram na primeira república entre os anos de 1889 até 1930 quando Getúlio Vargas, sob a égide do movimento tenentista, oriundo do sul do Brasil depõe Washington Luís e Júlio Prestes, eleito presidente fradulentamente, e assume o Poder;
- O terceiro volume analisa a história do Brasil de 1930 (governos de Getúlio Vargas, Dutra e Juscelino) até os anos de 1960 com a renúncia do Presidente Jânio Quadros;
- O quarto e último volume vai de 1961 com o Governo João Goulart e a devastação político-social do Brasil pela ditadura militar liderada pelo Marechal Humberto Castelo Branco, em 1964, até o seu fim com o General Figueiredo em 1967.
Vale lembrar que a continuação da devastação acima citada, explícita no último volume da obra de Basbaum, se encontra registrada e ilustrada, também, nos quatro volumes de “Retratos do Brasil” publicados pela Editora Três tendo como Diretor de Redação o Jornalista Mino Carta que, ainda hoje, (2017), edita a Revista Carta Capital com circulação semanal. Ver, também, a Memória da Verdade que abriu os arquivos da ditadura, assim como escritos sobre o movimento tortura nunca mais.
Esse grande e longo tenebroso inverno da história do Brasil encontra-se muito bem documentado em inúmeros trabalhos e obras literárias e históricas da recente historiografia brasileira.
Outro livro importante de Basbaum para os brasileiros foi, sem dúvida “Alienação e Humanismo” de âmbito filosófico aonde prega o humanismo concreto como procedimento na vida dos humanos no planeta. Segundo ele no pensamento hegeliano, inverte-se o significado tradicional da palavra, isto é, passa a ser tudo aquilo que é objetivamente real em decorrência de sua universalidade, de seu caráter sintético capaz de unificar uma multiplicidade de aspectos e determinações em oposição ao que é parcial, singular ou individual e o que é existente e verdadeiro independentemente do princípio da incerteza verificado e comprovado pela física quântica. O seu oposto é o humanismo abstrato, vulgar ou sentimental, isto é, aquele que resulta da abstração, que opera unicamente com ideias e com associações de ideias, (como a fé nas diferentes religiões) não diretamente vinculados com a realidade sensível da vida e história humana.
Para Basbaum o Humanismo Concreto “não é apenas o reconhecimento do homem abstrato, do homem genérico, mas do homem total, dentro de uma situação – historicamente variável – ao qual devem ser dadas perspectivas no sentido de dominar a situação e libertar-se”, logo é, dialeticamente, a antítese da alienação, ou seja, a negação do humanismo vulgar ou sentimental.
Abaixo seguem os nomes e data de lançamento das outras obras escritas por Leôncio Basbaum:
- A Caminho da Revolução Operária Camponesa(sob pseudônimo: Augusto Machado) (1933)
- Introdução ao estudo da filosofia(1939)
- Fundamentos del materialismo(1943) – na Argentina
- Fundamentos do materialismo(1944)
- História sincera da República(4 volumes) (1957 – 1968)
- Caminhos brasileiros do desenvolvimento(1959)
- No estranho país dos iugoslavos(1960)
- O processo evolutivo da história(1964)
- Alienação e Humanismo (1969)
- Uma vida em seis tempos(obra póstuma) (1976).
NELSON WERNECK SODRÉ é o OITAVO grande revelador da hermenêutica da historiografia brasileira cuja obra não pode ser ignorada por brasileiros que tenham a pretensão de terem uma visão crítica da realidade.
Nasceu no Rio de Janeiro, capital federal do Brasil, em 27 de abril de 1911 e faleceu em Itu em 13 de janeiro de 1999. Semelhante a Caio Prado Júnior sua grande obra reflete mais um pensamento marxiano do que marxista, embora muitos conhecedores de sua obra, opinam que ele foi “orientador” das teses e programas dos Partidos Comunistas por ter sido um dos maiores entendedores, no Brasil, dos postulados da Terceira Internacional.
Os textos sobre Sodré, abaixo copiados, são da atualizada, insuspeita e mundialmente conhecida Enciclopédia Livre da Internet – WIKIPÉDIA.
Após estudar em escolas públicas e em alguns internatos, ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em 1924, e na Escola Militar do Realengo, em 1930. Concluído o curso em 1933, fez a ‘declaração de aspirantes’ em janeiro de 1934 e logo em seguida foi designado para servir no Regimento de Artilharia de Itu, o tradicional Regimento Deodoro.
Sua estreia na grande imprensa ocorreu em 1929, com a publicação do conto “Satânia”, premiado pela revista O Cruzeiro. Em outubro de 1934 começou a colaborar no Correio Paulistano. Dois anos depois tornou-se, em sua própria opinião, “um profissional da imprensa”, passando a assinar o rodapé de crítica literária naquele periódico e a ser remunerado pelos artigos publicados.
Entre 1938 e 1945 publicou algumas centenas de artigos e sete livros: História da Literatura Brasileira , em 1938; Panorama do Segundo Império, em 1939; a segunda edição de História da Literatura Brasileira, em 1940; Oeste, em 1941; Orientações do Pensamento Brasileiro, em 1942; Síntese do Desenvolvimento Literário no Brasil, em 1943; Formação da Sociedade Brasileira, em 1944 e O que se Deve Ler para Conhecer o Brasil, em 1945.
Até o início da década de 1950, Nelson Werneck Sodré teve uma brilhante carreira militar: chegou a ser instrutor na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, onde lecionava História Militar. Em 1951, foi desligado da Escola de Estado-Maior devido às posições políticas que assumiu publicamente: por participar da diretoria do Clube Militar, empenhada na luta pelo monopólio estatal da pesquisa e lavra do petróleo no Brasil, e pela publicação, sob pseudônimo, de um artigo na Revista do Clube Militar, claramente identificado com as posições sustentadas à época pelo PCB, em que combatia a participação do Brasil na Guerra da Coréia.
Apesar de suas ligações com o então Ministro da Guerra, general Newton Estillac Leal, que presidira o Clube Militar durante a Campanha do Petróleo é Nosso, Nelson Werneck Sodré teve de conformar-se em postos de pouco relevo: como oficial de artilharia numa guarnição em Cruz Alta, interior do Rio Grande do Sul, e numa Circunscrição de Recrutamento no Rio de Janeiro (lotação considerada punitiva, à época).
Em 25 de agosto de 1961, Sodré foi promovido, por antiguidade, a coronel, no Exército. Em consequência, foi designado para o Quartel General da 8ª Região Militar, em Belém (Pará). Em sinal de protesto, solicitou a sua passagem para a reserva.
Durante a crise gerada pela renúncia de Jânio Quadros, Nelson Werneck Sodré ficou preso por 10 dias por se se opor à tentativa do golpe que pretendia impedir a posse do vice-presidente eleito, João Goulart. Com a posse de Goulart, sob o regime parlamentarista, seu pedido de passagem à reserva foi despachado, anulado e, mais uma vez, Sodré foi classificado para servir na capital do Pará: agora, numa Circunscrição Militar.
Pela segunda vez, requereu seu afastamento do serviço ativo do Exército e consumou a sua exclusão das fileiras militares.
No ISEB
No primeiro trimestre de 1954, Sodré foi convidado por Alberto Guerreiro Ramos a participar do IBESP – Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política, que oferecia cursos, em nível de pós-graduação, no auditório do Ministério da Educação e Cultura.
O IBESP foi, de acordo com Sodré, a “fase preliminar do ISEB” , e sua convivência com os ibespianos só teve início em 1955, após o seu retorno para o Rio de Janeiro, convidado pelo general Newton Estillac Leal para servir em seu Estado-Maior.
Ao final do governo Café Filho, (que sucedeu Getúlio após seu suicídio) em 1955, o IBESP passou por uma reformulação que alterou o seu nome para ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Como parte de seus integrantes se alinhara à candidatura de Juscelino Kubitschek, e a instituição “(…) não tinha sede nem estrutura, continuou, sob outro título, o novo, aquilo que o IBESP vinha fazendo”.
Com o início do governo JK, em 1956, a estrutura do ISEB foi fortalecida e se tornou mais estável, embora os cursos ainda fossem ministrados no auditório do Ministério da Educação e Cultura. A partir do ano seguinte, o Instituto passaria a ocupar a sede que lhe havia sido destinada, no bairro de Botafogo.
No ISEB, a problemática do desenvolvimento brasileiro delineou, desde o início do governo Kubitschek, a existência de duas tendências: a que sustentava a participação de capitais estrangeiros na economia brasileira para acelerar o ritmo de sua expansão, e a que defendia o caráter autônomo do processo de industrialização no país, admitindo a presença do capital estrangeiro apenas sob o rígido controle do Estado.
Os conflitos provocados entre os adeptos dessas duas orientações causaram a exclusão dos chamados ‘entreguistas’ do ISEB, em 1960. Nelson Werneck Sodré se identificava com a tese do desenvolvimento autônomo de nossa economia. Através de estudos direcionados para a relação entre o colonialismo e o imperialismo, para a formação e constituição das classes sociais no Brasil e, em especial, para a discussão de quem seria o povo brasileiro e o papel que poderia desempenhar na luta anti-imperialista, nosso autor orientou a sua produção intelectual para a identificação da classe ou da aliança de classes que poderia encaminhar o processo revolucionário no país.
A participação no ISEB também assinalou o retorno de Nelson Werneck Sodré à publicação de livros. Em 1957, foram lançados As Classes Sociais no Brasil , curso pronunciado no IBESP em 1954, e O Tratado de Methuen. Em 1958, foi a vez de Introdução à Revolução Brasileira. Em 1959, e a pedido de Umberto Peregrino, que dirigia a Biblioteca do Exército, Sodré organizou uma antologia de episódios militares brasileiros, Narrativas Militares.
No ano seguinte, veio a público a terceira edição de História da Literatura Brasileira, uma obra nova que conservou apenas o título de seu livro de estreia, e a segunda edição de O que se Deve Ler para Conhecer o Brasil, obra de referência que também guardou apenas o nome, quando comparada à edição original.
Em 1961, nosso autor lançou uma coleção de ensaios, A Ideologia do Colonialismo. Em novembro desse mesmo ano, no posto de General-de-Brigada do Exército brasileiro, Sodré solicitou a sua transferência para a reserva (ele não chegou a exercer o generalato na ativa). Com sua passagem à reserva, Nelson Werneck Sodré passou a se dedicar exclusivamente ao trabalho intelectual.
Desde a criação do ISEB, em 1956, até a sua extinção, com o golpe de 1964, Sodré foi responsável pelo Curso de Formação Histórica do Brasil. Desse curso resultou, após diversas reformulações, o livro Formação Histórica do Brasil, publicado em 1962. A interpretação da formação social brasileira apresentada na Formação Histórica do Brasil também inspirou a produção de material paradidático destinado a professores do ensino médio, a História Nova do Brasil, elaborada com a colaboração dos estagiários do Departamento de História do ISEB.
Ainda em colaboração com os estagiários do Departamento de História do ISEB, que se encarregaram da pesquisa, Nelson Werneck Sodré escreveu em poucos dias o livro Quem Matou Kennedy , lançado em dezembro de 1963, duas semanas após o assassinato do presidente dos EUA.
O livro Formação Histórica do Brasil conheceu uma versão condensada. Suas teses centrais foram expostas em Evolución Social y Económica del Brasil, publicado na Argentina em 1965, mas com data de 1964. A edição brasileira dessa obra foi lançada somente 1988 e reproduz integralmente o texto original. Conserva, inclusive, as notas de rodapé elaboradas pelo tradutor argentino, as quais, no julgamento de Sodré, “(…) parecem ruins”.
Após o Golpe Militar de 1964
Duas semanas após o golpe de 1964, Nelson Werneck Sodré teve os seus direitos políticos cassados por dez anos pela Junta Militar que assumiu o poder. Sofrer a cassação não tinha desdobramentos apenas político-eleitorais. A posterior regulamentação das punições ampliou os seus efeitos, impedindo-o de lecionar e de escrever artigos para a imprensa.
Optou por não se exilar e dedicou-se, nos anos seguintes, a resistir da única forma que lhe parecia ser possível: escrevendo. Como os demais meios de comunicação lhe foram interditados, passou a escrever livros. Escrevendo em período integral, e sem contar a reedições, Sodré publicou quatro títulos em 1965: Ofício de Escritor, O Naturalismo no Brasil, As Razões da Independência e A História Militar do Brasil.
Também em 1965 começaram a ser apreendidos das livrarias e depósitos das editoras alguns de seus títulos. Além da História Nova do Brasil, foram recolhidos exemplares de Quem Matou Kennedy, da História da Burguesia Brasileira e de A História Militar do Brasil. Reeditado em 1968, esse livro foi proibido de circular em 1969 e mais uma vez os exemplares disponíveis nas livrarias e na editora sofreram apreensão. A reedição dessa obra motivou um novo IPM contra Sodré.
Em 1966, publicou uma obra de referência que vinha preparando há décadas, História da Imprensa no Brasil. Em 1967, foram lançadas as Memórias de um Soldado e a terceira edição de uma obra de referência que vinha sendo reelaborada a cada vez que era publicada, O que se Deve Ler para Conhecer o Brasil.
Em 1968, publicou quatro antologias: Fundamentos da Economia Marxista, Fundamentos da Estética Marxista, Fundamentos do Materialismo Histórico e Fundamentos do Materialismo dialético.
Em 1970, vieram a público Síntese de História da Cultura Brasileira (escrito a pedido da direção do PCB) e as Memórias de um Escritor. Em 1974 foi a vez de Brasil: Radiografia de um modelo.
Em 1976, Introdução à Geografia; em 1978 Sodré lançou três livros, A Verdade sobre o ISEB, Oscar Niemeyer e A Coluna Prestes.
Em 1984, Vida e Morte da Ditadura; no ano seguinte, Nelson Werneck Sodré publicou três títulos, Contribuição à História do PCB, O Tenentismo e História e Materialismo Histórico no Brasil.
Em 1986 são lançados História da História Nova e A Intentona Comunista de 1935.
Em 1987, O Governo Militar Secreto e Literatura e História no Brasil Contemporâneo.
Em 1988, as Memórias de um Escritor são republicadas com o título Em Defesa da Cultura.
Em 1989, vem a público A República: uma revisão histórica, A Marcha para o Nazismo e um pequeno ensaio que assinalou a sua participação na primeira eleição direta para a presidência da república no Brasil após o golpe de 64, O Populismo, a confusão conceitual.
Em 1990 foram publicados Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil (reunião de textos elaborados no fim dos anos 1970), O Fascismo Cotidiano e mais um volume de sua memorialística, A Luta pela Cultura.
Em 1992 é publicado o penúltimo volume de suas memórias, A Ofensiva Reacionária, concluídas com o lançamento, em 1994, de A Fúria de Calibã.
Em 1995, a Graphia Editorial lançou A Farsa do Neoliberalismo, seguido pela reedição de seis obras do historiador: Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil, Panorama do Segundo Império, Literatura e História no Brasil Contemporâneo, Formação Histórica do Brasil (com posfácio de Emir Sader), História da Literatura Brasileira (com posfácio de André Moisés Gaio) e As Razões da Independência (com posfácio de Ricardo Maranhão).
Em 1998, foi publicado Tudo é Política, 50 anos do pensamento de Nelson Werneck Sodré em textos inéditos organizados em livro por Ivan Alves Filho e censurados.
O NONO grande interprete e personagem da história e da filosofia no Brasil e quiçá na América Latina foi o grande pensador ÁLVARO BORGES VIEIRA PINTO, companheiro de Nelson Werneck Sodré no ISEB, onde era diretor por ocasião do Golpe Militar de 1964, quando foi um dos primeiros brasileiros a ter cassado os seus direitos civis e praticamente banidos do Brasil. Na mesma oportunidade viu a sede do ISEB ser invadida, depredada e incendiada, com todo seu acervo bibliográfico, pelos militares que não suportavam ver o ISEB como uma réplica a Escola Superior de Guerra (ESG).
Considerando que este ensaio tem o propósito de levar ao internauta os fundamentos do pensamento do maior e mais lúcido filósofo brasileiro ALVARO VIEIRA PINTO, que nasceu em Campos Estado do Rio de Janeiro em 11 de novembro de 1909 e faleceu no Rio de Janeiro em 11 de junho de 1987. Médico de formação, matemático, poliglota e filósofo. Professor catedrático da Universidade do Brasil (hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ). Foi um do mais ilustre polímata brasileiro. Ex-diretor e professor do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros) do Ministério da Educação e Cultura (incendiado pelos militares no golpe de abril de 1964).
Vejamos o que diz a Enciclopédia Livre da Internet – WIKIPÉDIA sobre esse eminente pensador brasileiro.
Se destacou por sua posição nacionalista e sua atividade político-intelectual em defesa do desenvolvimento autônomo do Brasil durante o século XX. Possuía formação superior plural, sendo filósofo, tradutor, professor, pesquisador e tendo também atuado em educação, medicina, matemática, demografia e física. O educador Paulo Freire o chamava de “mestre brasileiro”.
Elaborou sua filosofia em torno do conceito de “trabalho”, entendido pelo autor como aspecto essencial do ser humano e também o próprio ser humano em atividade ou processo de trabalho.
O cientista político César Benjamin disse sobre ele: “Catedrático da Faculdade de Filosofia da então Universidade do Brasil (hoje UFRJ), com tese defendida na França sobre a cosmologia em Platão, unia rigorosíssima formação clássica à condição de excelente matemático. Ganhou projeção a partir de 1956, quando se juntou ao grupo de fundadores do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), cujo Departamento de Filosofia passou a chefiar. Ali, instalado no centro dos debates do ciclo desenvolvimentista, dedicou-se a compreender os vários modos de pensar o Ser Nacional a partir da periferia do sistema-mundo. Incursionou pela sociologia, a pedagogia, a história, a linguística e a demografia. Foi o mestre de uma geração que teve em Paulo Freire e em Darcy Ribeiro dois expoentes. Nação, povo, trabalho, cultura, ciência, técnica, dependência, desenvolvimento, construção de identidades foram temas que permearam a fecunda reflexão de Vieira Pinto, que sempre pensou a partir da condição de filósofo”.
Formação e filosofia
Formado em medicina em 1932, pela Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1934 ingressou na Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de inspiração fascista, liderada por Plínio Salgado, da qual depois se afastaria político e teoricamente. Na época, no campo profissional, dedicou-se aos estudos e pesquisas laboratoriais. Paralelamente, completou os cursos de física e matemática na Universidade do Distrito Federal (UDF).
Alceu Amoroso Lima, então reitor da UDF, indicou-o para ensinar lógica matemática, disciplina pela primeira fez oferecida no país. Mais tarde, passou a lecionar lógica na Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) da Universidade do Brasil. Em 1941, tornou-se colaborador da revista Cultura Política, publicação que reuniu os mais expressivos intelectuais do Estado Novo, assinando a coluna “Estudos e pesquisas científicas”.
Após passar um ano estudando na Sorbonne, em Paris, retornou ao Brasil em 1950 e defendeu sua Tese sobre Cosmologia em Platão, assumindo então a cadeira de titular de história da filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi), disciplina que ministrava há vários anos, na qualidade de professor assistente. Em meados de 1951, afastou-se da pesquisa médica, à qual se dedicara praticamente desde a sua formatura, para se dedicar exclusivamente ao ensino e ao estudo da filosofia.
Atuação no ISEB
Em 1955, a convite de Roland Corbisier, tornou-se chefe do Departamento de Filosofia do recém-criado Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), organizado no âmbito do Ministério da Educação e Cultura. Na chefia do Departamento de Filosofia do ISEB, lançou a coleção “Textos de Filosofia Contemporânea do ISEB” e publicou o seu livro Consciência e Realidade Nacional, com 2 volumes. Em 1962, assumiu a direção executiva do ISEB, tendo de enfrentar uma difícil situação financeira e uma permanente campanha difamatória movida pela imprensa conservadora, tendo à frente o jornal O Globo.
Golpe militar e exílio na Iugoslávia
O oposição ao ISEB tinha como motor o comprometimento do Instituto com as reformas de base defendidas pelo governo do presidente João Goulart (1961-1964). Com o golpe militar que derrubou Goulart (31 de Março de 1964) e a repressão desencadeada a seguir, a sede do ISEB foi invadida e em 13 de abril os militares decretaram a extinção do Instituto. Cassado pelo Ato Institucional nº 1 (AI-1), Álvaro Vieira Pinto se refugiou no interior de Minas Gerais e depois partiu para o exílio. Inicialmente esteve exilado na Iugoslávia (a partir de setembro de 1964), e depois no Chile (entre 1965 e 1968) a convite de Paulo Freire, para trabalhar no CELADE.
Exílio no Chile e trabalho no CELADE
No Chile, Álvaro Vieira Pinto onde trabalhou como pesquisador e professor no Centro Latino-Americano de Demografia (CELADE), órgão ligado à Organização das Nações Unidas, desenvolvendo pesquisas em Demografia. Neste ambiente, publicou em espanhol o livro El Pensamiento Crítico en Demografia em 1973 e um pequeno caderno, Demografia como Ciência com o resumo deste mesmo livro.
Volta ao Brasil e AI-5
Em dezembro de 1968 voltou ao Brasil, às vésperas da edição do AI-5, que marcou o endurecimento do regime militar. Publica em 1969 o livro Ciência e Existência.
Nos anos 1970, traduziu obras de autores consagrados como Arnold Toynbee, Georg Lukács, Noam Chomsky e Claude Lévi-Strauss, para a Editora Vozes, assinando sob diferentes pseudônimos e trabalhando em sua casa, apenas com a companhia de sua esposa. Em 1982, há uma retomada de interesse acadêmico por sua obra, que até então foi praticamente invisibilidade pela ditadura, e é publicado seu livro Sete Lições sobre Educação de Adultos, originalmente anotações de aulas ministradas no Chile em 1966.
Manuscritos e publicações póstumas
Foram publicado postumamente os livros O Conceito de Tecnologia de 2005 (a partir de manuscritos do autor, de 1973), e A Sociologia dos Países Subdesenvolvidos em 2008, também a partir de manuscritos do autor.
Obras escritas por Álvaro Vieira Pinto
- Ideologia e Desenvolvimento Nacional (1956)
- Consciência e Realidade Nacional(1960)
- O Conceito de Tecnologia(2005)
- Por que os ricos não fazem greve?Este pequeno livro de bolso trata sobre o conceito de trabalho e de trabalhador, respondendo a questões como “Quem são os ricos?” É porque não trabalham (e, consequentemente, não fazem greve). Faz parte da coleção “Cadernos do Povo Brasileiro”, coleção concebida pelo ISEB como instrumentos de denúncia e mobilização ao engajamento político.
- A Questão da Universidade: Livro sobre educação, analisando a universidade brasileira e as lutas estudantis.
- El pensamiento critico en demografia: Obra escrita para o CELADE (Chile) e publicada em espanhol, tendo tido uma recepção positiva em diversos países da América Latina, mas nunca publicada no Brasil. Este trabalho busca fornecer à pesquisa em demografia ferramentas analíticas para que o estudo das populações pudesse deixar de ser consideradas apenas expressões numéricas quantitativas que são comprovadas com séries estatísticas, para uma compreensão sociocultural mais ampla, qualitativa.
- Ciência e Existência(1969). Sobre a questão do trabalho científico, abordando aspectos existenciais e filosóficos, visando contribuir para que a ciência no Brasil pudesse se desenvolver e contribuir para a emancipação do país.
- Sete Lições sobre Educação de Adultos: Último livro publicado em vida pelo autor. Esta obra é uma edição de suas aulas ministradas no Chile, sobre educação de adultos.
- A Sociologia dos Países Subdesenvolvidos(2008) Livro publicado postumamente a partir de manuscritos encontrados por José Ernesto de Fáver
O DÉCIMO grande revelador da hermenêutica da historiografia brasileira é JOSUÉ APOLÔNIO DE CASTRO (Recife, 5 de setembro de 1908 – Paris, 24 de setembro de 1973), mais conhecido como Josué de Castro, foi um influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista político brasileiro no combate à fome. Destacou-se no cenário brasileiro e internacional não só pelos seus trabalhos ecológicos sobre o problema da fome no mundo, mas também no plano político em vários organismos internacionais.
Vejamos, agora o que diz a Enciclopédia Livre da Internet – WIKIPÉDIA sobre este grande pensador e cientista brasileiro.
Partindo de sua experiência pessoal no Nordeste brasileiro, publicou uma extensa obra que inclui: Geografia da fome, Geopolítica da fome, Sete palmos de terra e um caixão e Homens e caranguejos. Exerceu a Presidência do Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e foi também Embaixador brasileiro junto à Organização das Nações Unidas (ONU).
Recebeu da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos o Prêmio Franklin D. Roosevelt. O Conselho Mundial da Paz lhe ofereceu o Prêmio Internacional da Paz e o governo francês o condecorou como Oficial da Legião de Honra. Foi ainda indicado ao Nobel da Paz nos anos de 1953, 1963, 1964 e 1965. O Governo brasileiro o sabotou sua indicação nos anos de 1964 e 1965.
Logo após o Golpe de Estado de 1964 teve seus direitos políticos suspensos pela Ditadura Civil-Militar.
1908-1929
Josué nasceu no dia 5 de setembro de 1908, em Recife, capital do estado de Pernambuco. Seu pai veio de Cabaceiras (PB) durante a grande seca de 1877. Sua mãe, da região da zona da mata. Josué cresceu bem próximo aos mangues da cidade, região de mocambos, habitada por retirantes e caranguejos.
Aos 20 anos formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, atual UFRJ.
1930-1945
Apesar do interesse inicial pela psiquiatria, resolveu fazer nutrição e abriu sua clínica em Recife. Na mesma época, contratado por uma fábrica para examinar trabalhadores com problemas de saúde indefinidos e acusados de indolência, diagnosticou: “sei o que meus clientes têm. Mas não posso curá-los porque sou médico e não diretor daqui. A doença desta gente é fome”. Logo foi demitido da fábrica. Vislumbrou então a dimensão social da doença, ocultada por preconceitos raciais e climáticos.
Efetuou um inquérito pioneiro no Brasil, relacionando a produtividade com a alimentação do trabalhador, uma das bases para a posterior formulação do salário mínimo, e passou a chefiar uma comissão de estudos das condições de vida dos operários brasileiros. Como professor, lecionava Fisiologia e Geografia Humana.
Casado com sua ex-aluna Glauce, mudou-se para o Rio de Janeiro e Recorreu ao método geográfico para apresentar o mapa das regiões alimentares em A alimentação brasileira à luz da Geografia Humana. Entre outros contos, crônicas, ensaios, estudos sociais e biológicos, publicou O ciclo do caranguejo, conto sobre os mangues de sua cidade natal.
A partir de 1940, participou de todos os projetos governamentais ligados à alimentação, coordenando a implantação dos primeiros restaurantes populares, dirigindo as pesquisas do Instituto de Tecnologia Alimentar e colaborando para a execução de várias políticas públicas, como a educação alimentar. Sob sua direção foi lançado o periódico Arquivos Brasileiros de Nutrologia.
1946-1963
O ano de 1946 foi marcado pela publicação de Geografia da fome. Obra clássica da ciência brasileira, o livro buscou tirar da obscuridade o quadro trágico da fome no país. Enfatizou as origens socioeconômicas da tragédia e denunciou as explicações deterministas que naturalizavam este quadro.
No mesmo ano, foi o fundador e primeiro diretor do Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil. Efetivou-se como professor de Geografia Humana em 1947, na Universidade do Brasil (atual UFRJ). A Conferência da FAO de 1948 registrou o início de sua participação neste órgão internacional.
Geopolítica da fome, livro publicado em 1951, concebido como uma extensão da Geografia da fome, tornou-se um marco histórico e político nas questões de alimentação e população. Os princípios ecológicos e geográficos foram desta vez utilizados na escala da fome mundial. Posicionou-se contra as interpretações demográficas que entendiam a fome como consequência de excesso populacional e prescreviam um controle de natalidade de massa. Cuidou de “desnaturalizar” a fome mais uma vez e demonstrou os vários fatores biológicos, geográficos, culturais e políticos pelos quais a fome gera a superpopulação.
Respeitado internacionalmente, foi eleito, por representantes de setenta países, Presidente do Conselho Executivo da FAO, cargo que exerceu entre 1952 e 1956. Enfrentou forte oposição dos países desenvolvidos à execução de projetos voltados para o desenvolvimento do terceiro mundo e não deixou de expressar sua frustração com a “ação tímida e vacilante” da agência das Nações Unidas, apesar da alta qualificação de seus experts e técnicos.
Exerceu dois mandatos como Deputado federal eleito pelo Estado de Pernambuco. Entre diversos projetos ligados a questões agrárias, educacionais, culturais e econômicas, apresentou o de regulamentação da profissão de nutricionista, que dispõe sobre o ensino superior de Nutrição e o projeto para a reforma agrária, entendida como “um processo de revisão das relações jurídicas e econômicas entre os que detêm a propriedade rural e os que nela trabalham”. Com seus pronunciamentos, deixou registrados relevantes acontecimentos históricos, assim como a defesa contra abusos da imprensa quando, em várias ocasiões, dá vazão a interesses subservientes.
Em 1963, tornou-se Embaixador brasileiro junto à sede europeia da Organização das Nações Unidas, em Genebra. Era então uma personalidade de projeção internacional, convidado por reis e chefes de Estado, capaz de atrair uma plateia de 3.500 pessoas na cidade de Rouen, interior da França.
1964-1973
Com o Golpe de Estado de 1964, foi destituído do cargo de embaixador-chefe em Genebra e seus direitos políticos foram suspensos pela Ditadura Civil-Militar em seu primeiro Ato Institucional.
No exílio, sentiu agudamente a falta do Brasil. Impedido de voltar ao país, aceitou asilar-se na cidade de Paris, onde procurou dar prosseguimento a suas atividades.
Fundou e dirigiu o Centro Internacional para o Desenvolvimento, além de ter presidido a Associação Médica Internacional para o Estudo das Condições de Vida e Saúde. Foi designado professor estrangeiro associado ao Centro Universitário Experimental de Vincennes (Universidade de Paris VIII), onde trabalhou até sua morte.
Josué de Castro teve o grande mérito de desmistificar os postulados neomalthusianos vigentes na cultura brasileira e, também, do determinismo geográfico. Dessa forma descosnstruiu e erradicou os mitos pregados pela plutocracia brasileira, detentora do poder no Estado Brasileiro de que os “brasileiros não sabiam comer” e que “os solos brasileiro eram limitados para produzir os alimentos para a crescente população”.
Josué de Castro faleceu em Paris, em 24 de setembro de 1973.
Obras escritas por Josué de Castro
- O Problema Fisiológico da Alimentação no Brasil. Recife: Ed. Imprensa Industrial, 1932.
- O Problema da Alimentação no Brasil. Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1933.
- Condições de Vida das Classes Operárias do Recife. Recife: Departamento de Saúde Pública, 1935.
- Alimentação e Raça. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935.
- Therapeutica Dietética do Diabete. In: Diabete. Livraria do Globo, Porto Alegre, 1936. p. 271-294.
- Documentário do Nordeste. Rio de Janeiro: José Olympio, 1937.
- A Alimentação Brasileira à Luz da Geografia Humana. Rio de Janeiro: Livraria do Globo, 1937.
- Festa das Letras. Co-autoria de Cecília Meireles. Rio de Janeiro: Livraria Globo, 1937.
- Fisiologia dos Tabus. Rio de Janeiro: Ed. Nestlé, 1939.
- Geografia Humana. Rio de Janeiro: Livraria do Globo, 1939.
- Alimentazione e Acclimatazione Umana nel Tropici. Milão, 1939.
- Geografia da Fome: A Fome no Brasil. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1946.
- La Alimentación en los Tropicos. México: Fondo de Cultura, 1946.
- Fatores de Localização da Cidade do Recife. Rio de Janeiro: Ed. Imprensa Nacional, 1947.
- Geopolítica da Fome. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil, 1951.
- A Cidade do Recife: Ensaio de Geografia Humana. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil, 1956. Reedição de Fatores de Localização da Cidade do Recife.
- Três Personagens. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil, 1955.
- O Livro Negro da Fome. São Paulo: Brasiliense, 1957.
- Ensaios de Geografia Humana. São Paulo: Brasiliense, 1957.
- Ensaios de Biologia Social. São Paulo: Brasiliense, 1957.
- Sete Palmos de Terra e um Caixão. São Paulo: Brasiliense, 1965.
- Ensayos sobre el Sub-Desarrollo. Buenos Aires: Siglo Veinte, 1965.
- ¿Adonde va la América Latina?. Lima: Latino Americana, 1966.
- Homens e Caranguejos. Porto: Ed. Brasília, 1967.
- A Explosão Demográfica e a Fome no Mundo. Lisboa: ltaú, 1968.
- El Hambre – Problema Universal. Buenos Aires: La Pléyade, 1969.
- Latin American Radicalism. Edited by Irving Horowitz, Josué de Castro and John Gerassi. New York: Vintage Books, 1969. Coletânea organizada por Irving Horowitz, Josué de Castro e John Gerassi.
- A Estratégia do Desenvolvimento. Lisboa: Cadernos Seara Nova, 1971.
- Mensajes. Bogotá: Colibri, 1980.
- Fome: um Tema Proibido – últimos escritos de Josué de Castro. Anna Maria de Castro (org.). Rio de Janeiro: Civili zação Brasileira, 2003.
Homenagens e honrarias
- Prêmio Pandiá Calógeras, em 1937.
- Prêmio José Veríssimo, da Academia Brasileira de Letras, pelo livro Geografia da fome, em 1946.
- Professor Honoris-Causa da Universidade de San Domingos, na República Dominicana, em 1950.
- Professor Honoris-Causa da Universidade de San Marcos, no Peru, em 1950.
- Prêmio Franklin D. Roosevelt, da Academia de Ciências Políticas dos Estados Unidos, pelo livro Geopolítica da fome, em 1952.
- Grande Medalha da Cidade de Paris, em 1953.
- Prêmio Internacional da Paz, do Conselho Mundial da Paz, em 1954.
- Oficial da Legião de Honra da França, em 1955.
- O Instituto de Nutrição da UFRJ, fundado por ele, em 1996 passou a chamar-se Instituto de Nutrição Josué de Castro.
- Doutor Honoris-Causa in memoriam pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2003.
- Patrono do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
- Grã-Cruz in memoriam da Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, em 2006.
O DÉCIMO PRIMEIRO personagem que se destaca na historiografia brasileira é o sociólogo de formação FLORESTAN FERNANDES (São Paulo, 22 de julho de 1920 — São Paulo, 10 de agosto de 1995), foi um sociólogo e político brasileiro, deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores e agraciado postumamente em 1996 com o Prêmio Anísio Teixeira .
Vejamos o que está explícito na insuspeita e mundialmente conhecida Enciclopédia Livre da Internet – WIKIPÈDIA sobre este saudoso pensador e intelectual brasileiro.
Segundo seus relatos, Florestan Fernandes teve, ainda criança, o interesse pelos estudos despertado, principalmente pela diversidade dos lugares onde passou sua infância. Afilhado de Hermínia Bresser de Lima, filha de Carlos Augusto Bresser e Anna Bresser, Florestan aprendeu com ela a dedicação aos estudos: “O fato é que embora eu não estudasse organizadamente, pelo fato de ter nascido na casa de dona Hermínia Bresser de Lima aprendi o que era livro, a importância de estudar e com pouco mais de seis anos adquiri uma disciplina”. Filho de mãe solteira, não conheceu o pai. O avô materno trabalhou como colono numa fazenda no interior de São Paulo, tendo morrido por tuberculose, e a mãe, após se mudar para a capital paulista, trabalhou como empregada doméstica. Ganhou o nome do motorista de sua madrinha (que era alemão), amigo de sua mãe. Começou a trabalhar, como auxiliar numa barbearia, aos seis anos de idade. Também foi engraxate. Viveu entre a “grande casa” de sua madrinha, na esquina entre as ruas Bresser e Celso Garcia e cortiços, em diversos pontos da cidade. Estudou até o terceiro ano do primeiro grau. Só mais tarde, voltaria a estudar, fazendo curso de madureza, estimulado por frequentadores do bar Bidu, no centro de São Paulo, onde trabalhava como garçom.
Em 1941, Florestan ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, formando-se em ciências sociais. Iniciou sua carreira docente em 1945, como assistente do professor Fernando de Azevedo, na cadeira de Sociologia II. Na Escola Livre de Sociologia e Política, obteve o título de mestre com a dissertação “A organização social dos Tupinambá“. Em 1951 defendeu, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, a tese de doutoramento “A função social da guerra na sociedade tupinambá”, posteriormente consagrado como clássico da etnologia brasileira, que explora o método funcionalista.
Uma linha de trabalho característica de Florestan nos anos 50 foi o estudo das perspectivas teórico-metodológicas da sociologia. Seus ensaios mais importantes acerca da fundamentação da sociologia como ciência foram, posteriormente, reunidos no livro “Fundamentos empíricos da explicação sociológica”. Seu comprometimento intelectual com o desenvolvimento da ciência no Brasil, entendido como requisito básico para a inserção do país na civilização moderna, científica e tecnológica, situa sua atuação na Campanha de Defesa da Escola Pública, em prol do ensino público, laico e gratuito enquanto direito fundamental do cidadão do mundo moderno.
Em 1960, juntamente com outros intelectuais brasileiros, participa da criação da União Cultural Brasil-União Soviética, atual União Cultural pela Amizade dos Povos.
Carreira
Durante o período acadêmico, foi assistente catedrático, livre docente e professor titular na cadeira de Sociologia, substituindo o sociólogo e professor francês Roger Bastide em caráter interino até 1964, ano em que se efetivou na cátedra, com a tese “A integração do negro na sociedade de classes“. Como o título da obra permite entrever, o período caracteriza-se pelo estudo da inserção da sociedade nacional na civilização moderna, em um programa de pesquisa voltado para o desenvolvimento de uma sociologia brasileira.
Nesse âmbito, orientou dezenas de dissertações e teses acerca dos processos de industrialização e mudança social no país e teorizou os dilemas do subdesenvolvimento capitalista. Inicialmente no bojo dos debates em torno das reformas de base e, posteriormente, após o golpe de Estado, nos termos da reforma universitária coordenada pelos militares, produziu diagnósticos substanciais sobre a situação educacional e a questão da universidade pública, identificando os obstáculos históricos e sociais ao desenvolvimento da ciência e da cultura na sociedade brasileira inserida na periferia do capitalismo monopolista.
Aposentado compulsoriamente pela ditadura militar em 1969, foi Visiting Scholar na Universidade de Columbia, professor titular na Universidade de Toronto e Visiting Professor na Universidade de Yale e, a partir de 1978, professor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em 1975, veio a público a obra “A revolução burguesa no Brasil”, que renova radicalmente concepções tradicionais e contemporâneas da burguesia e do desenvolvimento do capitalismo no país, em uma análise tecida com diferentes perspectivas teóricas da sociologia, que faz dialogar problemas formulados em tom Max Weber com interpretações alinhadas à dialética marxista. No início de 1979, retornou a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, agora reformada, para um curso de férias sobre a experiência socialista em Cuba, a convite dos estudantes do Centro Acadêmico de Ciências Sociais. Em suas análises sobre o socialismo, apropriou-se de variadas perspectivas do marxismo clássico e moderno, forjando uma concepção teórico-prática que se diferencia a um só tempo do dogmatismo teórico e da prática de concessões da esquerda. Em 1986 foi eleito deputado constituinte pelo Partido dos Trabalhadores, tendo atuação destacada em discussões nos debates sobre a educação pública e gratuita. Em 1990, foi reeleito para a Câmara. Tendo colaborado com a Folha de São Paulo desde a década de 1940, passou, em junho de 1989, a ter uma coluna semanal nesse jornal.
O nome de Florestan Fernandes está obrigatoriamente associado à pesquisa sociológica no Brasil e na América Latina. Sociólogo e professor universitário, com mais de cinquenta obras publicadas, ele transformou o pensamento social no país e estabeleceu um novo estilo de investigação sociológica, marcado pelo rigor analítico e crítico, e um novo padrão de atuação intelectual.
O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que foi orientado em seus trabalhos acadêmicos por Florestan, estabeleceu com ele forte relação afetiva, mantida até a morte do sociólogo.
Florestan, com graves problemas no fígado, em 1995, submeteu-se a um transplante de fígado malsucedido no Hospital das Clínicas de São Paulo, realizado pelo professor Silvano Raia. Porém morreu precocemente de problemas em uma diálise devido à falha humana.
Principais obras
Florestan começou a escrever no final dos anos 40, e ao longo de sua vida, publicou mais de 50 livros e centenas de artigos. Suas principais obras foram:
- Organização social dos Tupinambá(1949);
- A função social da guerra na sociedade Tupinambá(1952);
- A etnologia e a sociologia no Brasil(1958) (resenhas e questionamentos sobre a produção das Ciências Sociais no Brasil, até os anos 50);
- Fundamentos empíricos da explicação sociológica(1959);
- Mudanças sociais no Brasil(1960) (nesta obra Florestan faz um panorama de seu trabalho e retrata o Brasil);
- Folclore e mudança social na cidade de São Paulo(1961) (esta obra reúne trabalhos e pesquisas realizadas nos anos em que Florestan foi aluno de Roger Bastide na USP, dedicados a várias manifestações de cultura popular entre crianças da cidade de São Paulo).
- A integração do negro na sociedade de classes(1964) (estudo das relações raciais no Brasil);
- Sociedade de classes e subdesenvolvimento(1968);
- Capitalismo dependente e Classes Sociais na América Latina (1973);
- A investigação etnológica no Brasil e outros ensaios(1975) (reedição em volume de artigos anteriormente publicados em revisas científicas e dedicados à produção recente da antropologia brasileira);
- A revolução burguesa no Brasil: Ensaio de Interpretação Sociológica(1975);
- Da Guerrilha ao Socialismo: A Revolução Cubana (1979);
- O que é Revolução (1981);
- Poder e Contra poder na América Latina (1981)
CELSO MONTEIRO FURTADO (Pombal-PB, 26 de julho de 1920 — Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2004) é o DÉCIMO SEGUNDO grande intelectual formador da historiografia do Brasil.
Foi um economista brasileiro e um dos mais destacados intelectuais do país ao longo do século XX. Suas ideias sobre o desenvolvimento e o subdesenvolvimento enfatizavam o papel do Estado na economia, com a adoção de um modelo de desenvolvimento econômico de corte keynesiano.
Nascido no alto sertão da Paraíba, na cidade de Pombal, era filho de Maurício Medeiros Furtado e de Maria Alice Monteiro Furtado] Estudou no Liceu Paraibano e no Ginásio Pernambucano do Recife. Muda-se em 1939 para o Rio de Janeiro. No ano seguinte, ingressa na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo concluído o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais em 1944, mesmo ano em que foi convocado para integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB), servindo na Itália.
Em 1946 ingressou no curso de doutorado em economia da Universidade de Paris-Sorbonne, concluído em 1948 com uma tese sobre a economia brasileira no período colonial. Nesta estadia em Paris conheceu sua primeira esposa, a química argentina Lucia Tosi. Retornou ao Brasil, trabalhando no DASP e na Fundação Getúlio Vargas.
Em 1949 mudou-se para Santiago do Chile, onde nasceu seu primeiro filho, Mario Tosi Furtado. No Chile, integrou a recém-criada Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), órgão das Nações Unidas. Sob a direção do economista argentino Raúl Prebisch, a CEPAL se tornaria naquele período um centro de debates sobre os aspectos teóricos e históricos do desenvolvimento.
Retornando ao Brasil, na década de 1950 Furtado presidiu o Grupo Misto CEPAL-BNDES, que elaborou um estudo sobre a economia brasileira que serviria de base para o Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitschek. Em 1953 assumiu uma diretoria do BNDE, e no ano seguinte nasceu seu segundo filho, André Tosi Furtado. Mais tarde, é convidado pelo professor Nicholas Kaldor ao King’s College da Universidade de Cambridge, Inglaterra, onde escreveu Formação Econômica do Brasil, clássico da historiografia econômica brasileira, que retrata possibilidades de intervenção racional do Estado no processo de desenvolvimento econômico.
Voltando ao Brasil, criou e dirigiu a pedido do presidente Juscelino Kubitschek, em 1959, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). “Formação Econômica do Brasil“, a mais consagrada obra de Celso Furtado, foi publicada nesse ano, no mesmo período em que o autor ocupava o cargo de diretor do BNDE do governo de Juscelino Kubitschek. Furtado já havia sido diretor da Divisão de Desenvolvimento da CEPAL por oito anos (de 1949 a 1957), fator que orientou a metodologia e os objetivos da obra. Isto é, Furtado procurou descrever a evolução da economia brasileira, dentro do paradigma latino-americano, pela análise da estrutura produtiva de cada período histórico da sociedade brasileira (daí a famosa denominação “estruturalista” para o pensamento cepalino em geral), dando ênfase em conceitos analíticos especificamente cepalinos, tais como a visão da economia internacional baseada nas relações entre países centrais, industrializados, e países periféricos, agrícolas.
Em 1962, no governo João Goulart, foi nomeado o primeiro Ministro do Planejamento do Brasil, foi idealizador do Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social. Procurou estabelecer regras e instrumentos rígidos para o controle do déficit público e refreamento do crescimento inflacionário. Em 1963 retornou à superintendência da SUDENE, criando e implantando a política de incentivos fiscais para investimentos na região.
Com a edição do Ato Institucional nº 1 (AI-1), Celso Furtado foi incluído na primeira lista de cassados, perdendo seus direitos políticos por dez anos.
Em meados de abril de 1964 foi para Santiago do Chile, a convite do Instituto Latino-Americano para Estudos de Desenvolvimento (Ildes), ligado à Cepal. Em setembro do mesmo ano mudou-se para New Haven, nos Estados Unidos, assumindo o cargo de pesquisador graduado do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Yale. No ano seguinte se mudou para a Paris, onde foi professor efetivo, por vinte anos, de Economia do desenvolvimento e Economia latino-americana na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Sorbonne, dedicando-se também a atividades de ensino e pesquisa nas universidades de Yale, American University e Columbia, nos EUA, e de Cambridge, na Inglaterra. Na década de 1970 viajou a diferentes países seja em missão das Nações Unidas, seja como conferencista ou professor-visitante, e dedicou-se intensamente à redação e publicação de livros. Nos meados dessa década, separou-se de sua primeira mulher.
Foi beneficiado pela anistia decretada em agosto de 1979. Com a Anistia, em 1979, retornou à militância política no Brasil, que passou a visitar com frequência. Conciliou esta atividade com suas tarefas acadêmicas como diretor de pesquisas da École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Em 1978 casou com sua segunda esposa, a jornalista e tradutora Rosa Freire d’Aguiar, com quem conviveu até final de sua vida.
Em 1981 filia-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em 1985 foi convidado a participar da Comissão do Plano de Ação do governo Tancredo Neves, e logo em seguida é nomeado Embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Europeia, mudando-se para Bruxelas. De 1986 a 1988 foi ministro da Cultura do governo José Sarney, quando criou a primeira legislação de incentivos fiscais à cultura. No entanto, sua ação foi bastante contestada por, na visão de seus críticos, ter promovido o sucateamento dos órgãos e entidades criados no período do regime militar, mas que garantiam a subsistência de várias áreas da cultura brasileira. Tais órgãos seriam extintos no governo seguinte, o de Fernando Collor de Mello. A 14 de Julho de 1986 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada de Portugal. Nos anos seguintes, retomou a vida acadêmica e participou de diferentes comissões internacionais. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1997. Faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 2004.
Em 25 de setembro de 2009 foi inaugurada a Biblioteca Celso Furtado contendo os 7542 livros que pertenceram ao autor.
Celso Furtado faz parte dos pensadores brasileiros que consideram o subdesenvolvimento como uma forma de organização social no interior do sistema capitalista, sendo contrário à ideia de que seja uma etapa para o desenvolvimento, como podem sugerir os termos de país “emergente” e “em desenvolvimento”. Na verdade, o subdesenvolvimento é um processo estrutural específico e não uma fase pela qual tenham passado os países hoje considerados desenvolvidos.
Os países subdesenvolvidos tiveram, segundo Furtado, um processo de industrialização indireto, ou seja, como consequência do desenvolvimento dos países industrializados. Este processo histórico específico do Brasil criou uma industrialização dependente dos países já desenvolvidos e, portanto, não poderia jamais ser superado sem uma forte intervenção estatal que redirecionasse o excedente, até então usado para o “consumo conspícuo” das classes altas, para o setor produtivo. Note-se que isto não significava uma transformação do sistema produtivo por completo, mas um redirecionamento da política econômica e social do país que levasse em conta o verdadeiro desenvolvimento social.
História do Brasil
Na tentativa de explicar as causas do subdesenvolvimento brasileiro, Celso Furtado analisou a história do país considerando o modelo centro-periferia, muito comum no pensamento econômico da CEPAL. Furtado defendia que o Brasil era periferia em relação ao centro, composto por países europeus e pelos Estados Unidos, até o fim do ciclo do café. Por consequência, o dinamismo do país era desproporcionalmente dependente das condições econômicas do centro. Além desse desequilíbrio, o Brasil possuía uma lógica social e econômica própria na qual uma economia de subsistência e com muito baixa produtividade existia ao lado de uma economia altamente dinâmica voltada à exportação. A relação entre as duas caracterizou os diferentes ciclos do país: ciclo da cana-de-açúcar, ciclo do ouro e ciclo do café. Esse último permitiu o início de um forte processo de industrialização no país. No entanto, por conta de sua posição de periferia e o desequilíbrio entre suas duas “economias” internas, o Brasil teve que constantemente enfrentar dois grandes problemas: inflação e desigualdade de renda.
Academia Brasileira de Letras
Foi eleito em 7 de agosto de 1997, oitavo ocupante da cadeira 11, que tem por patrono Fagundes Varela. Tomou posse em 31 de outubro, recebido pelo acadêmico Eduardo Portella.
Em seu discurso de posse, registrou:
“O fundador desta Cadeira número 11 foi um antepassado meu, Lúcio Furtado de Mendonça , de quem possivelmente herdei os pendores memorialísticos, o gosto malsucedido pela ficção literária e uma irreprimível sensibilidade social. Esse socialista declarado empenhou-se na criação desta Academia e certamente a ele mais do que a ninguém devemos a existência desta nobre Instituição.”
Pensando o Brasil
Dentre suas obras são listadas:
- Contos da vida expedicionária – de Nápoles a Paris. RJ, Zelio Valverde, 1946
- A economia brasileira. RJ, A Noite, 1954
- Uma economia dependente. RJ, Ministério da Educação e Cultura, 1956
- Perspectivas da economia brasileira. RJ, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, 1958
- Formação Econômica do Brasil. RJ, Fundo de Cultura, 1959
- Outras edições:
- Formação econômica do Brasil. 14ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976.
- Formação econômica do Brasil. 24ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1991.
- Formação econômica do Brasil. 34ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
- Formação econômica do Brasil. Edição comemorativa do cinquentenário. Org: Rosa Freire d’Aguiar Furtado; apres.: Luiz Felipe de Alencastro. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
- A Operação Nordeste. RJ, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, 1959
- Uma política de desenvolvimento econômico para o Nordeste. RJ, Imprensa Nacional, 1959
- Desenvolvimento e subdesenvolvimento. RJ, Fundo de Cultura, 1961
- Subdesenvolvimento e Estado democrático. Recife, Condepe, 1962
- A pré-revolução brasileira. RJ, Fundo de Cultura, 1962
- Dialética do desenvolvimento. RJ, Fundo de Cultura, 1964
- Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina. RJ, Civilização Brasileira, 1966.
- Teoria e política do desenvolvimento econômico. SP, Editora Nacional, 1967
- Um projeto para o Brasil. RJ, Saga, 1968
- Formação econômica da América Latina. RJ, Lia Editora, 1969
- Outras edições:
- A economia latino-americana. SP, Companhia Editora Nacional, 1976
- A economia latino-americana. SP, Companhia das Letras, 2007
- Análise do “modelo” brasileiro. RJ, Civilização Brasileira, 1972
- A hegemonia dos Estados Unidos e o subdesenvolvimento da América Latina. RJ, Civilização Brasileira, 1973
- O mito do desenvolvimento econômico. RJ, Paz e Terra, 1974
- Criatividade e dependência na civilização industrial. RJ, Paz e Terra, 1978
- Outras edições:
- Criatividade e dependência na civilização industrial. 3ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
- O Brasil pós-“milagre”. RJ, Paz e Terra, 1981
- A nova dependência, dívida externa e monetarismo. RJ, Paz e Terra, 1982
- Não à recessão e ao desemprego. RJ, Paz e Terra, 1983
- Cultura e desenvolvimento em época de crise. RJ, Paz e Terra, 1984
- A fantasia organizada. RJ, Paz e Terra, 1985
- A fantasia desfeita. SP, Paz e Terra, 1989
- Transformação e crise na economia mundial. SP, Paz e Terra, 1987
- ABC da dívida externa. SP, Paz e Terra, 1989
- Os ares do mundo. SP, Paz e Terra, 1991
- Brasil, a construção interrompida. SP, Paz e Terra, 1992
- O capitalismo global. SP, Paz e Terra, 1997
- Obra autobiográfica, 3 vol.. SP, Paz e Terra, 1997. Nova edição: SP, Companhia das Letras. 2014.
- O longo amanhecer. SP, Paz e Terra, 1999
- Raízes do subdesenvolvimento. RJ, Civilização Brasileira, 2001
- Em busca de novo modelo. SP, Paz e Terra, 2002
- “Essencial Celso Furtado” (antologia). SP, Penguin/Companhia das Letras, 2013.
- Outras edições:
- Outras edições:
- Outras edições:
LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO como DECIMO TERCEIRO personagem importante na formação da cultura e que fez história no Brasil na medida em que ele criou e inovou ritmos, cantou e encantou a alma brasileira. Criou os ritmos: baião, forró, quadrilha, xaxado, arrasta-pé, chamego, forró pé de serra e as músicas e marchas juninas em todo o Brasil com destaque para os festejos de São João da Grande Região Nordeste. Todos os ritmos e cantos com a participação de Luiz Gonzaga são criações genuinamente brasileiros com particularidades para o regionalismo nordestino. São completamente isentos de influências de quaisquer países cênticos ou hegemônicos, ou melhor: de visões eurocêntricas, americanocêntricas e etnocêntricas.
Esta grande personalidade brasileira produziu mais de noventa composições musicais, com e sem parceiros, criando e inspirando escolas de seguidores como as de Jacson do Pandeiro, Sivuca, Dominguinhos, Canhoto da Paraiba, Elba e Zé Ramalho. Talvez pela influência do frevo, autenticamente pernambucano, e do fantástico folclore dos estados do Nordeste (do Maranhão a Bahia) ele imortalizou-se na história da forma como aconteceu.
Vale salientar que esse grande compositor, cantor, músico e interprete musical, em suas diferentes parcerias do Norte ao Sul do Brasil, cravou no imaginário do povo brasileiro aquilo que mais o dignifica e o projeta no cenário lúdico e artístico do país, isto é, sua alegria e solidariedade. Talvez seja ele a pura imagem do “homem cordial” imaginado por Sérgio Buarque de Holanda em seu livro raízes do Brasil.
Em pleito direto realizado na Internet no Estado de Pernambuco Luiz Gonzaga foi eleito pelo povo pernambucano a maior personalidade pública do Estado em todo o Século XX deixando em segundo planos os renomados e queridos intelectuais e mundialmente conhecidos cientistas pernambucanos Josué de Castro, Gilberto Freyre e Barbosa Lima Sobrinho.
Note-se que no que pese ter sido vítima do coronelismo nordestino, quando jovem, e ser adorado pelas massas humanas no Brasil, Luiz Gonzaga sempre apoiava políticos conservadores, sendo ele mesmo de atitudes políticas conservadoras, ou seja, o inverso de Chico Buarque de Holanda que, como ele também cantou, encantou e massageou a alma dos brasileiros com seus versos melódicos e ricas sinfonias da mais pura e bela música popular brasileira. Chico Buarque talvez seja o maior cantor e compositor de protesto político do Brasil.
Para que o internauta tenha uma ideia da contribuição de Luiz Gonzaga para vida e a história do povo brasileiro vale apena reproduzir neste ensaio o que revela a Enciclopédia Livre da Internet – WIKIPÉDIA sobre ele.
Luiz Gonzaga nasceu na sexta-feira, dia 13 de dezembro de 1912, numa casa de barro batido na Fazenda Caiçara, povoado do Araripe, a 12 km da área urbana do município de Exu, extremo noroeste do estado de Pernambuco, cidade localizada a 610 km da capital pernambucana, Recife, a 69 km do Crato e a 80 km de Juazeiro do Norte (as duas últimas já situadas no Ceará, estado com o qual Exu faz divisa).
Deveria ter o mesmo nome do pai, mas na madrugada em que nasceu, seu pai foi para o terreiro da casa, viu uma estrela cadente muito luminosa e mudou de ideia. Era também o dia de Santa Luzia e também mês do Natal, o que explica seu nome, “Luiz”, que foi dado em homenagem a Santa Luzia, a estrela cadente e ao natal. Este nome tem tudo a ver com a época que nascera, e quer dizer “brilho, luz”.
A cidade que nascera fica ao sopé da Serra do Araripe, e inspiraria uma de suas primeiras composições, “Pé de Serra”. Seu pai trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão; também consertava o instrumento. Foi com ele que Luiz aprendeu a tocá-lo. Não era adolescente ainda quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai. Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sudeste do Brasil O gênero musical que o consagrou foi o baião . A canção emblemática de sua carreira foi Asa Branca, composta em 1947 em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.
Antes dos dezoito anos, Luiz teve sua primeira paixão: Nazarena, uma moça da região. Foi rejeitado pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, que não o queria para genro, pois ele não tinha instrução, era muito jovem e sem maturidade para assumir um compromisso. Revoltado com o rapaz, ameaçou-o de morte. Mesmo assim Luiz e Nazarena namoraram por meses escondidos e planejavam casar-se. Januário e Ana, pais de Luiz, lhe deram uma surra ao descobrirem que ele se envolveu com a moça sem a permissão da família dela, e ainda mais por Luiz tê-la desonrado: Os dois disseram isto propositalmente, com o intuito de serem obrigados a se casar. Na época, a moça tinha que casar virgem e se houvesse relação sexual antes do matrimônio o homem era obrigado a casar-se ou morreria. Nazarena revelou ao pai o ocorrido e foi espancada por ele. Por sorte Nazarena não engravidou de Luiz. O Coronel Raimundo ficou enfurecido e tentou matar Luiz, que o enfrentou na luta. Raimundo revela que, mesmo desonrada, iria arrumar um casamento para a filha com um amigo mais velho que já sabia da situação dela, ou a internaria num convento, mas com Luiz ela não se casaria. Revoltado por não poder casar-se com Nazarena, e por não querer morrer nas mãos do pai dela, Luiz Gonzaga saiu de casa e ingressou no exército no Crato. Durante nove anos viajou por vários estados brasileiros, como soldado, sem dar notícias à família. A partir de então passou a se relacionar com diversas mulheres, mas sem compromisso de namoro.
Carreira
Antes de ser o rei do baião, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista.
No início da carreira, apenas solava acordeão em choros, sambas, foxtrotes e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros. Apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata. Até que, em 1941, no programa de Ary Barroso, na Rádio Nacional foi aplaudido executando Vira e Mexe, com sabor regional, de sua autoria. O sucesso lhe valeu um contrato com a gravadora RCA Victor, pela qual lançou mais de 50 músicas instrumentais. Vira e mexe foi a primeira música que gravou em disco.
Veio depois sua primeira contratação, pela Rádio Nacional. Lá conheceu o acordeonista gaúcho Pedro Raimundo, que usava trajes típicos da sua região. Daí surgiu a ideia de apresentar-se vestido de vaqueiro, figurino que o consagrou em sua vida como artista.
Em 11 de abril de 1945, gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: a mazurca Dança Mariquinha em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.
Entre 1951 e 1952 o Colírio Moura Brasil celebrou um contrato de puro teor promocional com o cantor, então o maior nome de cultura de massa no Brasil, custando-lhe a excursão por todo o país, fato este registrado por Gilberto Gil,
Vida familiar
Cansado de passar as madrugadas cantando e bebendo em bares e bordéis do Rio de Janeiro, dormindo na casa de amigos, e vivendo aventuras sexuais com mulheres casadas, viúvas, solteiras e prostitutas, Luiz estava procurando formar um lar, ter sua família, uma mulher para ser sua esposa e mãe de seus filhos. Foi quando em 1945 conheceu em uma casa de shows da área central do Rio uma cantora de coro e samba, chamada Odaléia Guedes dos Santos, conhecida por Léia. Logo ele procurou saber de sua vida, e pediu para sair com ela. O caso amoroso, a princípio sem importância, e que toda noite, após bebidas e dança, terminava na cama, foi dando espaço a um sentimento maior, e então Luiz se viu apaixonado, como não se sentia desde quando amou Nazarena. Ele a pediu em namoro, após dois meses saindo juntos, e ela aceitou, mas antes de aceitar, teve que lhe fazer uma revelação: estava grávida, e o filho não era de Luiz. Logo ele ficara enfurecido, a humilhou, a acusando de traição, mas ela pôde provar pelos seus 5 meses de gestação, embora não aparentes devido a sua magreza, que já estava grávida antes de conhecer Luiz. Sabendo que sua namorada seria mãe solteira, tirou-a da pensão em que morava, alugou uma casa, e assumiu a paternidade da criança, um menino, que Luiz adotou, dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior.
Odaléia, que além de cantora de coro era sambista, revelou sua história a Luiz: poucos meses antes de se conhecerem, ela morava com os pais e se apaixonou por um homem mais velho. Ele fora seu primeiro namorado, e a família não permitia a relação, por Odaléia ainda ser muito jovem. Mesmo contra a vontade dos pais, a moça se encontrava com o homem num hotel da região sempre que podiam. Ele a convenceu a se entregar para ele pois a prometeu em casamento. Odaléia descobriu-se grávida com 20 dias de gestação, e ficou desesperada, mas ao saber da gestação, o homem a humilhou, a agrediu e a abandonou, revelando ser casado, e alegando que não poderia arcar com esse compromisso. Arrasada, contou tudo aos pais e apanhou do pai, sendo expulsa de casa com a roupa do corpo. Sem ter para onde ir, foi parar nas ruas, pediu esmolas e teve que se prostituir para conseguir comida. Ao completar três meses de gestação e ainda nessa vida de meretriz, onde foi orientada por todos a abortar a criança, o que ela foi veementemente contra, surgiu uma luz ao fim do túnel, quando, em uma das festas do bordel, subiu ao palco para cantar, pois uma das meninas não pôde se apresentar naquele dia. Sem nunca ter se apresentado antes, deu um grande show, ficando emocionada. No fundo, cantar era seu maior sonho. Ela foi observada por um grupo de sambistas e cantores que frequentavam aquela zona. Logo eles ficaram encantados e viram que o lugar dela não era ali. Rapidamente eles a chamaram para um teste numa rádio,e Odaléia passou. Eles quitaram sua dívida com os cafetões e Odaléia finalmente teve seu talento para cantar e dançar descoberto. Ela alugou um quarto de pensão para morar, e acabou passando a se apresentar em casas de samba no Rio, quando conheceu Luiz. Foi morar com Luiz; a relação entre eles ia bem no começo, com romantismo e cumplicidade, mas começou a se desestabilizar.
A relação com Luiz se tornou muito conflituosa: Odaléia era muito ciumenta, assim como Luiz, que, cansado das cobranças da esposa, passou a beber muito e traí-la. Cansada das humilhações constantes, onde Luiz, ao beber, a agredia e lhe jogava na cara seu passado de mulher da vida, Odaléia saiu de casa com o filho, e assim, o casal acabou separando‐se com menos de dois anos de convivência, embora Luiz tenha tentado reatar. Luiz a buscou na pensão onde ela voltou a viver, e não aceitava que ela saísse daquela casa, e então, decidiu sair e deixá-la lá com o filho. Léia, então, voltou a trabalhar como dançarina e cantora, e criou o filho sozinha, mas Luiz a ajudava financeiramente e visitava o menino.
Em 1946, Luiz voltou pela primeira vez a Exu, sua cidade natal e reencontrou seus pais, Januário e Ana, que havia anos não sabiam nada sobre o filho e sofreram muito esse tempo todo. O reencontro com seu pai é narrado em sua composição Respeita Januário, em parceria com Humberto Teixeira. Ele ficou meses vivendo com os pais e irmãos, mas logo voltou ao Rio de Janeiro.
Ao chegar ao Rio, ainda em 1946, conheceu a professora pernambucana Helena Cavalcanti, em um show que fez. Logo ficaram amigos, e com o tempo, começaram a namorar: Luiz viu que ela era uma mulher que se dava muito ao respeito e não permitia intimidades maiores antes do matrimônio, além de nunca ter tido um namorado. Também admirava o fato dela ser formada e independente. Logo ele percebeu que ela era o modelo ideal de esposa: estava apaixonado, e percebeu estar amando-a, mais do que sentiu por qualquer outra mulher. Ele precisava de uma secretária para cuidar de sua agenda de shows e de seu patrimônio financeiro, e antes de a pedir em namoro, quis estreitar mais os laços e tirar a timidez dela, a convidando para ser sua secretária. Helena precisava de um salário extra para ajudar os pais, já idosos, com quem ainda morava, e aceitou: nos dias em que não dava aula para crianças do primário, cuidava das finanças de Luiz em um escritório que ele montara. Eles noivaram em 1947 e casaram-se civil e religiosamente em 1948. O casal permaneceu junto, felizes até o fim da vida de Luiz. Não tiveram filhos biológicos: Helena tentou engravidar de todas as formas e não conseguia, devido a diversos transtornos do aparelho reprodutivo, que tinha desde adolescente separado de Luiz, onde se entregou ao vício do álcool e fumo. Luiz ficou desesperado ao saber da morte de sua ex. O filho deles, apelidado de Gonzaguinha, ficou órfão com dois anos e meio. Luiz queria levar o menino para morar com ele e Helena e pediu para a mulher criá-lo como se fosse dela, mas Helena não aceitou, juntamente com sua mãe Marieta, que achava aquilo um absurdo, já que nem filho verdadeiro de Luiz era. O casal na época ainda não tinha adotado Rosa, e Helena queria uma filha, não um filho, e também não queria nenhuma ligação com o passado do marido, e mandou ele escolher entre ela ou a criança. Luiz, muito abalado, decidiu manter o casamento, e não viu saída: Entregou o filho para seus compadres, os padrinhos de batismo da criança, o casal Leopoldina, apelidada de Dina, e Henrique Xavier Pinheiro. Este casal, apesar de muito pobre, criou o menino com seus outros filhos no Morro do São Carlos. Luiz sempre visitava Gonzaguinha e o sustentava financeiramente. Xavier o considerava filho de verdade e lhe ensinava viola, e o menino teve em Dina uma mãe.
Os anos passaram. Luiz não se dava bem com o filho ainda apelidado de Gonzaguinha. O rapaz jamais aceitou o pai ter ficado com a esposa e aberto mão de criá-lo. Luiz Gonzaga passou a visitar cada vez menos o filho durante a infância dele, já que a esposa não queria que ele ficasse indo vê-lo toda hora. Gonzaguinha sentia-se triste, e sempre que o via, discutia com o pai. Luiz ficava muito mal com as atitudes do filho e achava que ele não teria um bom futuro, imaginando que se tornaria um malandro ao crescer, já que o menino tinha amizades ruins no morro, vivendo com malandros tocando viola pelos becos da favela. Dina e Xavier tentavam unir pai e filho, mas Helena queria mais a proximidade deles, e passou a espalhar para todos que Luiz era estéril e não era o pai de Luizinho. Isso acarretava brigas entre ele e Helena, que usava a filha Rosa, dizendo que se ele não parasse de visitar o filho, Luiz não veria mais a menina. Luiz Gonzaga ficava furioso com os ataques de ciúme e chantagem de Helena, e sempre desmentia para todos a história da paternidade de Luizinho, já que não queria que ninguém soubesse que o menino era seu filho somente no registro civil. Amava o menino de fato, independente de não ser seu filho de sangue.
Na adolescência, o jovem Luizinho se tornou rebelde: Não aceitou o pedido do pai de ir morar com ele, mesmo que para isso ele tenha que se separar da esposa. Luizinho amava os padrinhos como seus pais biológicos. Tudo piorou quando ele ouvia boatos sobre sua paternidade, e enfim, após uma grande explosão de raiva e discussão, descobriu não ser filho verdadeiro de Luiz Gonzaga, que tentou a todo custo desmentir esta história para ele, até que teve que ter uma conversa franca, e contou toda a história que o uniu a mãe dele, uma dançarina e cantora de coro e samba, além de ex-prostituta, abandonada grávida pelo primeiro namorado.
Esta história revoltou Luizinho, que parou de falar com o pai. Ele só ouvia conselhos de Xavier e Dina, e os chamava de pai e mãe. Apesar da infância pobre, cresce feliz ao lado dos irmãos de criação e dos pais de acolhimento. Nesta época Gonzaguinha contraiu tuberculose, aos 14 anos, e quase morreu. O tempo passou e aos 16 anos, Luiz o pegou para o criar e o levou a força para a Ilha do Governador, onde morava, mas por ser muito autoritário e a esposa destratar o garoto, o que gerava brigas entre Luiz e Helena, Gonzaga mandou o filho ao internato. Luiz Gonzaga enfrentou a esposa, e disse que se quisesse, ela poderia ir embora, mas que Luizinho ficaria morando com eles, e que ela tentasse tirar Rosa dele, iria na justiça. Helena saiu de casa com a filha e ficou alguns meses morando com os pais e a filha, e Luiz ia visitá-las, até que voltou para seu lar. Helena detestava o rapaz e vivia implicando com ele, humilhando, e por isso Gonzaguinha também não gostava da madrasta, o que os afastou e causou mais brigas entre pai e filho, quando Luizinho passou a beber e trazer amigos e mulheres para dentro de casa na ausência da família, o que fez com que Luiz passasse dar razão à esposa. Não vendo medidas, internou o jovem em um colégio interno, para desespero de Dina e Xavier. Logo depois ele voltou, mas Luiz o internou novamente e ele só saiu de lá aos 18.
Ao crescer, a relação ficou mais tumultuada, pois o filho se tornou um malandro, viciado em bebidas alcoólicas. Gonzaguinha resolveu se tratar e concluiu a universidade (nessa época ele morava na Tijuca), tornando músico como o pai. Pai e filho ficaram mais unidos quando, em 1979, viajaram o Brasil juntos, compondo juntos. Se Tornaram, enfim, amigos.
Luiz era maçom e compôs “Acácia Amarela” com Orlando Silveira. Foi iniciado na Paranapuan, Ilha do Governador, em 3 de abril de 1971.
Mural do artista visual Eduardo Kobra em homenagem a Luiz Gonzaga no edifício da prefeitura do município onde o músico faleceu, Recife.
Luiz Gonzaga sofreu de osteoporose por anos. Em 2 de agosto de 1989, morreu vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Foi velado em Juazeiro do Norte (a contragosto de Gonzaguinha, que pediu que o corpo fosse levado o mais rápido possível para Exu, irritando várias pessoas que iriam ao velório e tornando Gonzaguinha uma pessoa mal vista em Juazeiro do Norte) e posteriormente sepultado em seu município natal.
Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga no Rio São Francisco (Moxotó) é uma homenagem ao cantor e compositor.
Em 2012 Luiz Gonzaga foi tema do carnaval da GRES Unidos da Tijuca, no Rio de Janeiro, com o enredo “O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão“, fazendo com que a escola ganhasse o carnaval carioca daquele ano.
Ana Krepp, da Revista da Cultura escreveu: “O rei do baião pode ser também considerado o primeiro rei do pop no Brasil. Pop, aqui, empregado em seu sentido original, de popular. De 1946 a 1955 foi o artista que mais vendeu discos no Brasil, somando quase 200 gravados e mais de 80 milhões de cópias vendidas. ‘Comparo Gonzagão a Michael Jackson. Ele desenhava as próprias roupas e inventava os passos que fazia no palco com os músicos’, ilustra [o cineasta] Breno [Silveira, diretor de Gonzaga — De pai para filho]. Foi o cantor e músico e também o primeiro a fazer uma turnê pelo Brasil. Antes dele, os artistas não saíam do eixo Rio-SP. Gonzagão gostava mesmo era do showbiz: viajar, fazer shows e tocar para plateias do interior.”
Em 2012, o filme de Breno Silveira, Gonzaga – De Pai pra Filho, narrando a relação conturbada de Luiz com o filho Gonzaguinha, em três semanas de exibição já alcançara a marca de um milhão de espectadores.
Em 13 de dezembro de 2012 os Correios Brasileiro, seguindo uma tradição filatélica, emitiu um selo postal em homenagem ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga.
Sucessos musicais
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Discografia
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O DÉCIMO QUARTO grande intelectual e polímata que marca a hermenêutica da historiografia brasileira é DARCY RIBEIRO (nascido em Montes Claros-MG, 26 de outubro de 1922 — falecido em Brasília, 17 de fevereiro de 1997) foi um antropólogo, escritor e político brasileiro, conhecido por seu foco em relação aos índios e à educação no país. Foi casado com a etnóloga e antropóloga Berta Gleizer Ribeiro, até 1974.
Darcy é um dos maiores interpretes e formador da historiografia brasileira talvez o único intelectual a ver e a analisar o Brasil quando ainda seu território era conhecido como Pindorama, (Terra das Palmeiras), ou seja, muito antes da invasão europeia, principalmente, dos portugueses.
Suas ideias de identidade latino-americana influenciaram vários estudiosos latino-americanos posteriores. Como Ministro da Educação do Brasil realizou profundas reformas que o levou a ser convidado a participar de reformas universitárias no Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai, depois de deixar o Brasil devido à ditadura militar de 64 que cassou os seus direitos políticos.
Juventude
Em Montes Claros fez os estudos fundamentais e secundário, no Grupo Escolar Gonçalves Chaves e no Ginásio Episcopal de Montes Claros.
Foi para Belo Horizonte estudar Medicina, porém ao cursar disciplinas de Ciências Sociais, decidiu-se por esta área. Em 1946, formou-se em antropologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia (1946-1956).
Carreira
Notabilizou-se fundamentalmente por trabalhos desenvolvidos nas áreas de educação, sociologia e antropologia tendo sido, ao lado do amigo a quem admirava Anísio Teixeira, um dos responsáveis pela criação da Universidade de Brasília, elaborada no início da década de 1960, ficando também na história desta instituição por ter sido seu primeiro reitor. Redigiu o projeto, como funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, do Parque Indígena do Xingu, criado em 1961. Também foi o idealizador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Publicou vários livros, vários deles sobre os povos indígenas.
Darcy Ribeiro foi ministro da Educação durante Regime Parlamentarista do Governo do presidente João Goulart (18 de setembro de 1962 a 24 de janeiro de 1963) e chefe da Casa Civil entre 18 de junho de 1963 e 31 de março de 1964. Durante a ditadura militar brasileira, como muitos outros intelectuais brasileiros, teve seus direitos políticos cassados e foi obrigado a se exilar, vivendo durante alguns anos no Uruguai.
Durante o primeiro governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987), Darcy Ribeiro, como vice-governador, criou, planejou e dirigiu a implantação dos Centros Integrados de Ensino Público (CIEP), um projeto pedagógico visionário e revolucionário no Brasil de assistência em tempo integral a crianças, incluindo atividades recreativas e culturais para além do ensino formal – dando concretude aos projetos idealizados décadas antes por Anísio.
Foi responsável pela criação e pelo projeto cultural do Memorial da América Latina, centro cultural, político e de lazer, inaugurado em 18 de março de 1989, no bairro da Barra Funda, em São Paulo, assim como foi responsável pelo projeto de lei que deu origem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), lei 9394/96 aprovado pelo senado brasileiro.
Exerceu o mandato de senador pelo Rio de Janeiro de 1991 até sua morte em 1997 – anunciada por um lento processo canceroso que comoveu o Brasil. Darcy, sempre polêmico e ardoroso defensor de suas ideias, teve, em sua longa agonia, o reconhecimento e admiração até dos adversários. Publica O Povo Brasileiro em 1995, obra em que aborda a formação histórica, étnica e cultural do povo brasileiro, com impressões baseadas nas experiências de sua vida.
Universidade Estadual do Norte Fluminense “Darcy Ribeiro”
A implantação de uma universidade pública já era um sonho antigo da população de Campos dos Goytacazes (RJ) quando uma mobilização da sociedade organizada conseguiu incluir na Constituição Estadual de 1989 uma emenda popular prevendo a criação da Universidade Estadual do Norte Fluminense. O movimento envolveu entidades, associações e lideranças políticas. Seriam necessárias pelo menos 3 mil assinaturas, mas os organizadores conseguiram 4.141, sem contar milhares de outras não qualificadas
No início da década de 1990, o grande desafio do movimento popular pró-UENF foi cumprir o prazo legal para a criação da Universidade, sob pena de o artigo constitucional tornar-se letra morta. Este prazo se extinguiria em 1990. Após um intenso esforço coletivo de sensibilização das autoridades, finalmente foi aprovada pela Assembleia Legislativa a lei de criação da UENF, sancionada pelo então governador Moreira Franco em 8 de novembro de 1990. A Lei 1.740 autorizava o Poder Executivo a criar a Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF, com sede em Campos dos Goytacazes. Em 27 de fevereiro de 1991, o Decreto 16.357 criava a UENF e aprovava o seu Estatuto.
Com a eleição de Leonel Brizola para o governo do Estado do Rio de Janeiro e sua posse em 1991, o projeto da UENF ganhou novos rumos. Cumprindo compromisso de campanha assumido em Campos (RJ), Leonel Brizola pôs em execução a implantação da UENF, delegando ao professor Darcy Ribeiro a tarefa de conceber o modelo e coordenar a implantação. Darcy fora o criador e o primeiro reitor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de projetos de instauração ou reforma de universidades na Costa Rica, Argélia, Uruguai, Venezuela e Peru.
Ao receber a missão de fundar a UENF, Darcy se impôs o desafio de fazer da nova universidade o seu melhor projeto. Concebeu um modelo inovador, onde os departamentos – que, na UnB, já tinham representado um avanço ao substituir as cátedras – dariam lugar a laboratórios temáticos e multidisciplinares como célula da vida acadêmica. Cercou-se de pensadores e pesquisadores renomados para elaborar o projeto da UENF e apresentou-a como a ‘Universidade do Terceiro Milênio’. Previu a presença da UENF em Macaé (RJ), onde viriam a ser implantados os Laboratórios de Engenharia e Exploração do Petróleo (Lenep) e de Meteorologia (Lamet). As marcas da originalidade e da ousadia que Darcy imprimiu a seu último grande projeto de universidade se tornaram visíveis. A UENF foi a primeira universidade brasileira onde todos os professores têm doutorado. A ênfase na pesquisa e na pós-graduação, sem paralelo na história da universidade brasileira, faz da UENF uma universidade para formar cientistas.
Em 23 de outubro de 2001, através da Lei complementar n.° 99, sancionada pelo governador Anthony Garotinho, a Universidade conquista sua autonomia administrativa, separando-se da antiga mantenedora. Ao conquistar a autonomia, a instituição incorpora na prática o nome do seu fundador, passando a se chamar Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, conforme já previsto pela Lei n.º 2.786, de 15 de setembro de 1997.
A conquista da autonomia, marco na história da jovem universidade, veio após uma luta sem tréguas de professores, estudantes e servidores técnico-administrativos, com apoio da comunidade campista e setores importantes da imprensa. A partir do reconhecimento de sua autonomia administrativa, a UENF inicia um vigoroso movimento de aproximação com a sociedade regional, incluindo as prefeituras, as agências de desenvolvimento, as instituições de ensino superior e as entidades da sociedade organizada.
Cumpriu-se, assim, mais uma etapa na história da obra-prima de Darcy Ribeiro no Norte Fluminense. Se a criação da UENF nascera de um movimento épico da sociedade campista, confluindo-se com os mais legítimos anseios da comunidade científica brasileira, a conquista de sua autonomia administrativa e patrimonial seria fruto de uma campanha heroica da própria comunidade acadêmica, de braços dados com a sociedade regional.
No IGC/2011, divulgado em 2012, a UENF foi considerada a melhor universidade do Rio de Janeiro e a 11ª melhor do país.
Academia Brasileira de Letras
Darcy Ribeiro foi eleito em 8 de outubro de 1992 para a cadeira 11, que tem por patrono Fagundes Varela, sendo recebido em 15 de abril de 1993 por Cândido Mendes.
Em seu discurso de posse, deixou registrado:
“Confesso que me dá certo tremor d’alma o pensamento inevitável de que, com uns meses, uns anos mais, algum sucessor meu, também vergando nossa veste talar, aqui estará, hirto, no cumprimento do mesmo rito para me recordar. Vendo projetivamente a fila infindável deles, que se sucederão, me louvando, até o fim do mundo, antecipo aqui meu agradecimento a todos. Muito obrigado. Estou certo de que alguém, neste resto de século, falará de mim, lendo uma página, página e meia. Os seguintes menos e menos. Só espero que nenhum falte ao sacro dever de enunciar meu nome. Nisto consistirá minha imortalidade”. |
Com obras traduzidas para diversos idiomas (inglês, o alemão, o espanhol, o francês, o italiano, o hebraico, o húngaro e o checo), Darcy Ribeiro figura entre os mais notórios intelectuais brasileiros.
Suas obras divididas tematicamente, foram:
Etnologia
- Culturas e línguas indígenas do Brasil– 1957
- Arte plumária dos índios Kaapo– 1957
- A política indigenista brasileira– 1962
- Os índios e a civilização– 1970
- Uira sai, à procura de Deus– 1974
- Configurações histórico-culturais dos povos americanos– 1975
- Suma etnológica brasileira– 1986 (colaboração; três volumes).
- Diários índios – os urubus-kaapor– 1996, Companhia das Letras
Antropologia
- O processo civilizatório – etapas da evolução sociocultural– 1968
- As Américas e a civilização – processo de formação e causas do desenvolvimento cultural desigual dos povos americanos– 1970
- O dilema da América Latina – estruturas do poder e forças insurgentes– 1978
- Os brasileiros – teoria do Brasil– 1972
- Os índios e a civilização – a integração das populações indígenas no Brasil moderno– 1970
- The culture – historical configurations of the American peoples– 1970 (edição brasileira em 1975).
- O povo brasileiro – a formação e o sentido do Brasil– 1995.
Romances
Ensaios
- Kadiwéu – ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza– 1950
- Configurações histórico-culturais dos povos americanos– 1975
- Sobre o óbvio – ensaios insólitos– 1979
- Aos trancos e barrancos – como o Brasil deu no que deu– 1985
- América Latina: a pátria grande– 1986
- Testemunho– 1990
- A fundação do Brasil – 1500/1700– 1992 (colaboração)
- O Brasil como problema– 1995
- Noções de coisas– 1995
Educação
- Plano orientador da Universidade de Brasília– 1962
- A universidade necessária– 1969
- Propuestas – acerca da la renovación– 1970
- Université des Sciences Humaines d’Alger– 1972
- La universidad peruana– 1974
- UnB – invenção e descaminho– 1978
- Nossa escola é uma calamidade– 1984
- Universidade do terceiro milênio – plano orientador da Universidade Estadual do Norte Fluminense– 1993
Homenagens
- O campus principal da Universidade Estadual de Montes Clarosse chama Darcy Ribeiro. [
- Do mesmo modo, o campus principal da Universidade de Brasíliase chama Darcy Ribeiro. [
- A Universidade Estadual do Norte Fluminensese chama oficialmente “Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro”.
- A Usina de Biodiesel da Petrobras Biocombustível, em Montes Claros, se chama “Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro”
- É o Patrono da Cadeira 28 do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.
- O famoso Sambódromo (passarela de samba) da Av. Marques de Sapucaí, tem como nome original passarela professor Darcy Ribeiro
- Faculdade de Tecnologia Darcy Ribeiro (FTDR). Em Fortaleza hoje Faculdade Padre Dourado – FACPED
- A Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) possui um programa de licenciatura nomeado “Programa Darcy Ribeiro”.
- O Edifício onde a Controladoria-Geral da União é sediada, em Brasília, se chama Darcy Ribeiro.
- Em Goiânia, existe uma escola municipal em sua homenagem, se chama Escola Municipal Senador Darcy Ribeiro.
- Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São Gonçalo
ARIANO VILAR SUASSUNA é a DECIMA QUINTA grande personagem que fez história no Brasil e que merece ser lido como intelectual que foi comprometido com o que há de mais puro e original na cultura brasileira. Nasceu em João Pessoa, Paraíba, no dia 16 de junho de 1927 e faleceu em Recife, Pernambuco, no dia 23 de julho de 2014. Foi dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta brasileiro e formado em Direito.
Como seu pai era o presidente do estado, cargo que a partir da Constituição de 1937 passou a ser denominado pelo povo como “governador”, Ariano nasceu nas dependências do Palácio da Redenção, sede do Executivo paraibano. No ano seguinte, o pai deixa o governo da Paraíba, e a família passou a morar no Sertão, na Fazenda Acauã, em Sousa.
Com a Revolução de 1930, João Suassuna foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro, e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral. Morou, ainda, em Campina Grande _PB
Idealizador do Movimento Armorial e autor das obras como o Auto da Compadecida e O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil Secretário de Cultura de Pernambuco (1994-1998) e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014.
A partir de 1942 passou a viver em Recife, onde terminou, em 1945, os Estudos secundários no Ginásio Pernambucano, no Colégio Americano Batista e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde conheceu Hermilo Barbosa Filho e, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os Homens de Barro foi montada no ano seguinte.
Em 1950, formou-se na Faculdade de Direito de Recife e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Para curar-se de doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá, na Paraíba. Lá escreveu e montou a peça Torturas de um Coração em 1951.
Em 1952, volta a residir em Recife. Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar, porém, a atividade teatral. São desta época O Castigo da Soberba (1953), O Rico Avarento (1954) e o Auto da Compadecida (1955), peça que o projetou em todo o país e que seria considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “O texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.
Em 1956, abandonou a advocacia para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte foi encenada a sua peça O Casamento Suspeitoso, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e O Santo e a Porca; em 1958, foi encenada a sua peça O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna; em 1959, A Pena e a Lei, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.
Em 1959, em companhia de Hermilo Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa da Boa Preguiça (1960) e A Caseira e a Catarina (1962). No início dos anos 60, interrompeu sua bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPE. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira. Aposenta-se como professor em 1994.
Membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE (1969). Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, no Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado no Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial” e com uma exposição de gravura, pintura e escultura. Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes (1994-1998).
Entre 1958-79, dedicou-se também à prosa de ficção, publicando o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971) e História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao Sol da Onça Caetana (1976), classificados por ele de “romance armorial-popular brasileiro”.
Ariano Suassuna construiu em São José do Belmonte, onde ocorre a cavalgada inspirada no Romance d’A Pedra do Reino, um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com 3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José, o padroeiro do município.
Membro da Academia Paraibana de Letras e da Academia Pernambucana de Letras.
Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2000); Universidade Federal da Paraíba (Resolução Nº 10/2001) tendo recebido a honraria no dia 29 de junho de 2002; Universidade Federal Rural de Pernambuco (2005), Universidade de Passo Fundo (2005) e Universidade Federal do Ceará (2006) tendo recebido a honraria em 10 de junho de 2010, às vésperas de completar 83 anos. “Podia até parecer que não queria receber a honraria, mas era problemas de agenda”, afirmou Ariano, referindo-se ao tempo entre a concessão e o recebimento do título.
Ariano Suassuna, durante evento pró-equidade de gênero e diversidade, em Brasília, 2007.
Em 2002, Ariano Suassuna foi tema de enredo no carnaval carioca na escola de samba Império Serrano; em 2008, foi novamente tema de enredo, desta vez da escola de samba Mancha Verde no carnaval paulista. Em 2013 sua mais famosa obra, o Auto da Compadecida foi o tema da escola de samba Pérola Negra em São Paulo.
Em 2004, com o apoio da ABL, a Trinca Filmes produziu um documentário intitulado O Sertão: Mundo de Ariano Suassuna, dirigido por Douglas Machado e que foi exibido na Sala José de Alencar.
Em 2011, quando Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, foi reeleito Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB, Ariano foi eleito Presidente de Honra. Na oportunidade, declarou que era “um contador de história” e que encerraria sua “vida política neste cargo“.
Durante o mandato de Eduardo Campos no Governo de Pernambuco, Ariano Suassuna foi assessor especial até abril de 2014. Ariano Suassuna era torcedor do Sport Club do Recife, clube que o homenageou dando lhe seu nome a Taça Ariano Suassuna que é disputada anualmente desde 2015.
Ariano morreu no dia 23 de julho de 2014 no Real Hospital Português, no Recife, onde deu entrada na noite do dia 21, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), passando por procedimento cirúrgico com colocação de dois drenos para controlar a pressão intracraniana. Ele ficou em coma e respirando por ajuda de aparelhos. O corpo de Ariano foi sepultado no Cemitério Morada da Paz em Paulista, Região Metropolitana do Recife em 24 de julho de 2014 .
De formação calvinista e posteriormente agnóstico, converteu-se ao catolicismo, o que viria a marcar definitivamente a sua obra.
Ariano Suassuna estreou seus dons literários precocemente no dia 7 de outubro de 1945, quando o seu poema “Noturno” foi publicado em destaque no Jornal do Commercio do Recife.
Advocacia e teatro
Na Faculdade de Direito do Recife, conheceu Hermilo Borba Filho, com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as harpas de Sião (ou O desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Seguiram-se Auto de João da Cruz, de 1950, que recebeu o Prêmio Martins Pena, o aclamado Auto da Compadecida, de 1955, O Santo e a Porca – O Casamento Suspeitoso, de 1957, A Pena e a Lei, de 1959, A Farsa da Boa Preguiça, de 1960, e A Caseira e a Catarina, de 1961.
Entre 1951 e 1952, volta a Sousa, para curar-se de uma doença pulmonar. Lá escreveu e montou Torturas de um coração. Em seguida, retorna a Recife, onde, até 1956, dedica-se à advocacia e ao teatro.
Em 1955, Auto da Compadecida o projetou em todo o país. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi diria que a peça é “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”. Sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema.
Em 1956, afasta-se da advocacia e se torna professor de Estética da Universidade Federal de Pernambuco, onde se aposentaria em 1994. Em 1976, defende sua tese de livre-docência, intitulada “A Onça castanha e a Ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira”.
Ariano acredita que: “Você pode escrever sem erros ortográficos, mas ainda escrevendo com uma linguagem coloquial.”
Ariano foi o idealizador do Movimento Armorial, que tem como objetivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro.
Tal movimento procura orientar para esse fim todas as formas de expressões populares lúdicas, teatrais e artísticas sejam elas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras expressões.
Obras de Ariano Suassuna já foram traduzidas para inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês.
O próprio Ariano Suassuna reconhecia que o assassinato de seu pai, João Suassuna, ocupava posição marcante em sua inquietação criadora. No discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, disse:
“Posso dizer que, como escritor, eu sou, de certa forma, aquele mesmo menino que, perdendo o pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930, passou o resto da vida tentando protestar contra sua morte através do que faço e do que escrevo, oferecendo-lhe esta precária compensação e, ao mesmo tempo, buscando recuperar sua imagem, através da lembrança, dos depoimentos dos outros, das palavras que o pai deixou.”
O assassinato de João Suassuna ocorreu como desdobramento da comoção posterior ao assassinato de João Pessoa, governador da Paraíba e candidato a Vice-Presidente do Brasil na chapa de Getúlio Vargas. Ariano Suassuna atribuía à família Pessoa a encomenda do assassinato de seu pai, João, ao pistoleiro Miguel Laves de Souza, que atirou na vítima pelas costas, no Rio de Janeiro.
Ariano Suassuna, em razão dessa história, desgostava do nome atribuído à cidade onde nasceu, a capital do Estado da Paraíba, que, em 1927, quando veio à luz o escritor paraibano, também se chamava Paraíba.
Em 1993, foi eleito para a cadeira 18 da Academia Pernambucana de Letras, cujo patrono é o escritor Afonso Olindense.
De 1990 até o ano de sua morte, ocupou a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre, o barão de Santo Ângelo. Foi sucedido por Zuenir Ventura.
Assumiu a cadeira 35 na Academia Paraibana de Letras em 9 de outubro de 2000, cujo patrono é Raul Campelo Machado, sendo recepcionado pelo acadêmico Joacil de Brito Pereira.
Obras selecionadas
- Uma mulher vestida de Sol(1947)
- Cantam as harpas de Sião ou O desertor de Princesa(1948)
- Os homens de barro(1949)
- Auto de João da Cruz(1950)
- Torturas de um coração(1951)
- O arco desolado(1952)
- O castigo da soberba(1953)
- O Rico Avarento(1954)
- Auto da Compadecida(1955)
- O casamento suspeitoso(1957)
- O santo e a porca(1957)
- O homem da vaca e o poder da fortuna(1958)
- A pena e a lei(1959)
- Farsa da boa preguiça(1960)
- A Caseira e a Catarina(1962)
- As conchambranças de Quaderna(1987)
- Fernando e Isaura(1956, inédito até 1994)
Romance
- A História de amor de Fernando e Isaura(1956)
- O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta(1971)
- História d’O Rei Degolado nas caatingas do sertão /Ao sol da Onça Caetana(2015)
Poesia
- O pasto incendiado(1945-1970)
- Ode, (1955)
- Sonetos com mote alheio(1980)
- Sonetos de Albano Cervonegro(1985)
- Poemas(antologia) (1999)
- Os homens de barro(1949)